A performance em esportes de longa duração como as provas nas distâncias do ironman e meio-ironman, dependem do consumo máximo de oxigênio, limiares ventilatórios e da eficiência em relação a velocidade ou ritmo em função do consumo energético. É preciso entender que existem diversas formas de nomenclatura associadas as zonas de treinamento (fig.1). Em função disso a fisiologia do exercício procura compreendê-las em função das respostas fisiológicas do exercício (fig. 2). A condensação das zonas de treinamento pode ser uma opção em função da modalidade esportiva.
A velocidade e o percentual da potência máxima sustentada estão associados a eficiência do metabolismo energético que depende da atividade das enzimas aeróbias, além da capilarização celular nas atividades de longa duração.
As mitocôndrias, encontradas em maior quantidade nas fibras de contração lenta, em menor número nas fibras de contração rápida, metabolizam a glicose proveniente do glicogênio muscular e da glicose sanguínea, além da as gorduras armazenadas entre as fibras musculares e no tecido adiposo.
O treinamento aeróbio no Z1, Z2 e Z3 visam melhorar, além de diversos aspectos da eficiência mecânica nas três modalidades do triathlon, intensidade em que diversos treinos técnicos e educativos são aplicados, também visa garantir a performance em função da melhora da eficiência do metabolismo das gorduras e da capilarização celular.
As gorduras armazenadas são convertidas em ácidos graxos livres e glicerol, processo que depende da atividade da enzima lipoproteína lipase (LPL). A entrada dos ácidos graxos na mitocôndria depende da carnitina-palmitoil transferase (CPT I e II) e carnitina acilcarnitina translocase. A CPT I durante o exercício físico controla a entrada de ácidos graxos para o interior da mitocôndria. Em resposta ao treinamento físico há o aumento na atividade e expressão da CPT I e II nos músculos treinados.
Nas atividades na Z1 e Z2 a mobilização de AG do tecido adiposo se eleva até próximo de 65%VO2max, em que a oxidação pelos músculos são maiores e contribui com aproximadamente 60% da energia fornecida, sendo os outros 40% proveniente dos carboidratos, principalmente da glicose circulante quando a duração da atividade é prolongada. No início da Z1 temos a mobilização significativa de ácidos graxos, contudo a oxidação muscular é baixa e qualquer benefício relacionado ao treinamento precisaria de altíssimos volumes, não sendo producente para provas como ironman e meio-ironman.
A Z3, caracterizada por vários especialistas do treinamento desportivo como tempo-training, zona logo abaixo do segundo limiar ventilatório (LV2), apresenta uma queda oxidação de gordura para 30% e, um aumento das necessidades de carboidratos com a glicose e o glicogênio muscular para 50%. Ao se aproximar do LV2 (Z4) a oxidação das gorduras aproxima-se de 3%, enquanto o consumo de carboidratos sobe progressivamente. No LV2 somente carboidratos oriundos do glicogênio muscular são utilizados para a produção de energia.
Em função das respostas fisiológicas ao exercício aeróbio é imprescindível que sessões de Z1, Z2 e Z3, além da Z4 sejam elaboradas para que o atleta aumente a sua capacidade aeróbia, incrementado a sua velocidade e ritmo de prova. Atletas de altíssimo nível em provas de endurance apresentam altas taxas de consumo de oxigênio, acima de 70 ml.kg-1.min-1, com LV2 entre 85 a 94% do VO2max. Assim quanto maior for a taxa de consumo de oxigênio e maior for o percentual em que ocorre o LV2 mais eficiente pode se tornar o metabolismo das gorduras para provas longas.
É importante ressaltar que quanto mais elevada é a intensidade do esforço físico, maior é desvio de sangue para a musculatura ativa, associado a um aumento na liberação de glicose pelo fígado elevando-se a glicemia, sendo observada uma redução na irrigação sanguínea no tecido adiposo, associados a outros fatores reduz-se a disponibilidade de gordura para oxidação nos músculos ativos.
Prof. Marco Angelo, MSc.
Cref1:5903.
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