Glicólise anaeróbia - Simples e fácil de entender

 A glicólise anaeróbia é uma via metabólica que ocorre em ausência de oxigênio, e que é utilizada para produzir energia durante atividades físicas de alta intensidade e curta duração. A seguir, veremos uma explicação sequencial da glicólise anaeróbia.


Passo 1: Fase de fosforilação


    Na primeira fase da glicólise anaeróbia, conhecida como fase de fosforilação, a glicose é convertida em glicose-6-fosfato, por meio da enzima hexoquinase. Para realizar essa conversão, é necessário o consumo de ATP (adenosina trifosfato), que é a principal fonte de energia celular. O ATP libera o radical fosfato para a glicose.


Passo 2: Fase de Geração de ATP


    Na segunda fase da glicólise anaeróbia, conhecida como fase de geração de ATP, ocorrem uma série de reações químicas que resultam na produção de ATP. A glicose-6-fosfato é convertida em ácido pirúvico, em uma série de reações catalisadas por enzimas, resultando na produção de quatro moléculas de ATP.


Passo 3: Formação de Ácido Lático


    Em atividades físicas de alta intensidade e curta duração, a demanda por energia pode ser tão elevada que as células musculares não conseguem suprir essa necessidade através da respiração aeróbica. Nesses casos, a glicólise anaeróbia pode produzir energia, mas a formação de ácido lático é um subproduto dessa via metabólica.


    Em resumo, a glicólise anaeróbia é uma via metabólica utilizada para produzir energia em atividades físicas de alta intensidade e curta duração. Embora essa via metabólica possa gerar energia rapidamente, o acúmulo de ácido lático está associado indiretamente a redução do desempenho físico, pois taxa de produção de lactato está relacionada a taxa de liberação de hidrogênio do NADH+. Por muitos anos, acreditava-se que o acúmulo de lactato era responsável pela fadiga muscular durante o exercício intenso. No entanto, estudos mais recentes mostraram que a fadiga muscular não está relacionada ao acúmulo de lactato. Mas a redução na sua produção em função da incapacidade do NADH em transporta o H+ produzido na 5 etapa da glicólise anaeróbia. Por ser essa uma reação espontânea há liberação de H+ em função da demanda muscular por ATP, assim a 1 etapa da glicólise é mantida acelerada, enquanto a taxa de captura de H+ e mantida estável e, dependente da enzima lactatodesidrogrenase que transfere o H+ para o ácido pirúvico formando ácido lático. 


    O lactato é na verdade um importante substrato energético para os músculos e outros tecidos do corpo. Em repouso pode ser convertido em energia por meio de reações bioquímicas no fígado, coração e músculos. Além disso, o lactato pode ajudar a retardar a fadiga muscular, uma vez que pode ser oxidado pelos músculos e outros tecidos para produzir energia.

 Segue abaixo uma tabela explicando a fase de geração de ATP da glicólise anaeróbia:

EtapaReaçãoEnzimaATP produzido
1Glicose-6-fosfato -> Frutose-6-fosfatoIsomerase0
2Frutose-6-fosfato -> Frutose-1,6-bifosfatoFosfofrutoquinase0
3Frutose-1,6-bifosfato -> Gliceraldeído-3-fosfato e Dihidroxiacetona fosfatoAldolase0
4Dihidroxiacetona fosfato -> Gliceraldeído-3-fosfatoIsomerase0
5Gliceraldeído-3-fosfato -> 1,3-BifosfogliceratoDesidrogenase2 ATP
61,3-Bifosfoglicerato -> 3-FosfogliceratoFosfogliceratoquinase2 ATP
73-Fosfoglicerato -> 2-FosfogliceratoMutase0
82-Fosfoglicerato -> FosfoenolpiruvatoEnolase2 ATP
9Fosfoenolpiruvato -> PiruvatoPiruvatoquinase2 ATP
    Durante a fase de geração de ATP da glicólise anaeróbia, ocorrem nove etapas bioquímicas distintas, cada uma delas sendo catalisada por uma enzima específica. Em resumo, a glicólise anaeróbia começa com a glicose, que é convertida em gliceraldeído-3-fosfato e dihidroxiacetona fosfato. O dihidroxiacetona fosfato é então convertido em gliceraldeído-3-fosfato, de modo que agora temos duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato.

    As duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato são então convertidas em duas moléculas de piruvato, resultando na produção líquida de 2 ATP. Cada etapa do processo é necessária para a conversão eficiente de glicose em piruvato e para a produção de ATP. O piruvato produzido na glicólise anaeróbia pode ser convertido em lactato ou em acetil-CoA, dependendo das condições metabólicas do organismo.

Limiares de Lactato 1 e 2

 

Introdução

 

Os limiares de lactato 1 e 2 são pontos críticos que indicam a intensidade do exercício físico que uma pessoa pode suportar antes que ocorra um acúmulo excessivo de lactato no sangue. Esses limiares são amplamente utilizados na avaliação do desempenho atlético e no treinamento esportivo. Neste texto, discutiremos os protocolos para identificar os limiares de lactato 1 e 2.

 

O que são os limiares de lactato 1 e 2?

 

Antes de discutirmos os protocolos para identificar os limiares de lactato 1 e 2, é importante entender o que eles são e por que são importantes. O limiar de lactato 1 é o ponto em que o corpo começa a produzir lactato em uma taxa maior do que é capaz de ser removido do sangue. Isso ocorre quando o corpo está trabalhando em um nível de intensidade moderado a alto. O limiar de lactato 2 é o ponto em que a produção de lactato se torna excessiva e a capacidade do corpo de remover o lactato do sangue é sobrecarregada. Isso ocorre quando o corpo está trabalhando em um nível de intensidade muito alto.

 

 Protocolo para identificar o limiar de lactato 1

 

O protocolo mais comum para identificar o limiar de lactato 1 é o teste de limiar de lactato incremental. Este teste envolve o aumento gradual da intensidade do exercício até que o ponto de limiar de lactato 1 seja alcançado. Durante o teste, o lactato no sangue é medido regularmente para determinar quando ocorre um aumento significativo na produção de lactato. O protocolo geralmente envolve as seguintes etapas:

 

1. Aquecimento: 10 a 15 minutos de aquecimento leve.

2. Início do teste: Comece o teste em uma intensidade moderada e aumente gradualmente a intensidade a cada 3 a 5 minutos.

3. Coleta de amostras de sangue: A cada aumento de intensidade, uma amostra de sangue é coletada para medir os níveis de lactato.

4. Identificação do limiar de lactato 1: O limiar de lactato 1 é identificado quando ocorre um aumento significativo na produção de lactato.

 

Protocolo para identificar o limiar de lactato 2

 

O protocolo para identificar o limiar de lactato 2 é semelhante ao protocolo para identificar o limiar de lactato 1. No entanto, o teste de limiar de lactato 2 é mais exigente e pode ser desconfortável para alguns indivíduos. O protocolo geralmente envolve as seguintes etapas:

 

1. Aquecimento: 10 a 15 minutos de aquecimento leve.

2. Início do teste: Comece o teste em uma intensidade moderada e aumente gradualmente a intensidade a cada 3 a 5 minutos até que o indivíduo atinja a exaustão.

3. Coleta de amostras de sangue: A cada aumento de intensidade, uma amostra de sangue é coletada para medir os níveis de lactato.

4. Identificação do limiar de lactato