O
triatlo é composto por três modalidades esportivas: a natação, o ciclismo e a
corrida feitos seqüencialmente. O triatlo surgiu como esporte para o mundo em
meio a uma discussão casual junta a mesa de um bar, em Honolulu, Havaí, na
pequena cervejaria, Primo Brewery. Estavam reunidos esportistas contando suas
proezas em três provas tradicionais da cidade: O Waikiki Rough Water Swim,
prova de natação com 2,4
milhas (aproximadamente 3,8 Km); a Around Oahu Bike
Race, prova ciclística cujo circuito dá a volta na ilha de Oahu; e a maratona
de Honolulu, não chegando a um acordo sobre qual prova exigia mais resistência
física. Então, o Comandante da Marinha John Collins fez um desafio, dizendo que
o homem de ferro ou IRONMAN seria o
indivíduo que conseguisse completar as três provas uma após a outra, no mesmo
dia.
A prova ocorreu no dia 18 de
fevereiro de 1978, quinze atletas largaram para a prova. Neste dia surgiu o
"IRONMAN" do Havaí, a prova de triatlo mais famosa do mundo.
Doze homens completaram a prova.
Nesta prova não havia água, voluntários, estrutura, nada! Os competidores que
se cuidassem. John Collins parou na metade da corrida para jantar num pequeno
restaurante, e saboreou um autêntico Chili Mexicano. Yohn Dunbar, um marinheiro
que liderou boa parte da prova parou para se hidratar, seus amigos lhe ofereceram
uma cerveja gelada. Dunbar ficou bêbedo e perdeu a liderança para o taxista
Gordon Haller, que venceu o desfio com 11 horas e 46 minutos.
Há registro da prática do triathlon
no início da década de 1970, pelo San Diego Track Clube, como um método de
treinamento alternativo para as rigorosas provas de pista. O primeiro evento do
clube consistiu em uma corrida 10
km, um ciclismo de 8 km e 500 metros de natação.
Em 1989, a União de Triatlo
Internacional (ITU) foi fundada em Avignon, na França, organizando os primeiros
campeonatos mundiais oficiais. O triatlo olímpico surgiu em 1984, quando foi
idealizado com base nas distâncias oficiais e da prova longa de piscina (1,5 km), do contra-relógio
de ciclismo (40 km)
e dos 10 km
da prova de fundo de pista. Foi levado
em conta o evento existente em cada disciplina no programa Olímpico.
No Brasil, a primeira prova
aconteceu em 1982. Em 1990, surgiram as federações. Em 1991, surgiu a
Confederação Brasileira de Triatlo “CBTri”.
Em 1994, no congresso dos Jogos
Olímpicos, em Paris, na França, o triatlo foi premiado com o status de
modalidade do programa Olímpico e fez o seu debute nos Jogos Olímpicos de
verão, em Sydney, Austrália, no ano 2000. O evento das mulheres aconteceu no
primeiro dia, 16 de setembro, e os homens no dia seguinte, 17 de setembro.
O triatlo oficialmente é
caracterizado por suas diversas distâncias em que é disputado. A tabela 1
apresenta as distâncias que classificam as provas; para competições e a
elaboração de programas de treinamento (ITU, 2001).
Distâncias Oficiais do Triatlo em quilômetros (km).
Evento
|
NATAÇÃO
|
CICLISMO
|
CORRIDA
|
7-10 anos
|
0,1
|
5
|
1
|
11-14 anos
|
0,2
|
12
|
3
|
Short
|
0,75
|
20
|
5
|
Olímpico
|
1,5
|
40
|
10
|
Long
|
2,0
|
50-100
|
10-30
|
Ironman
|
3,8
|
180
|
42,195
|
Ultraman
|
10
|
421
|
84
|
A prática seqüenciada da natação, do
ciclismo e da corrida em suas diversa distâncias oficiais faz com que o triatlo
tenha uma duração de 50 (cinqüenta) minutos até aproximadamente 24 (vinte e
quatro) horas, gerando demandas fisiológicas distintas das práticas esportivas
individuais.
Os fatores que proporcionam essas
influências diferem o “age group” da categoria elite. A primeira determinante
do sucesso no triatlo é a capacidade de sustentar um alto percentual de
despediu energético por um prolongado período de tempo.
Estudos têm mostrado que os
triatletas da elite e os amadores do sexo masculino têm estatura média de 179 cm (O’Toole et al, 1995. HUE et al, 1999.
DENADAI e BALIKIAN JUNIOR, 1995. DEVITO et al, 1995. BONSIGNORE et al, 1998.
HAUSSWIRT et al, 1999. SCHABORT et al, 2000), enquanto que os ciclistas
profissionais apresentam a estatura aproximada de 179,75 cm (PADILLA et al,
2000. GNEHM et al, 1997. LIEDL et al. 1999. FERNANDEZ-GARCIA et al. 2000. DRABBS
e MAUD, 1997). Verifica-se, assim, que ambos os tipos de atletas apresentam
estaturas similares. Os corredores de 10 km apresentam uma estatura média de 177,68 cm (ROECKER et al,
1998), mostrando-se mais baixo do que os triatletas. Segundo SLEIVERT, G. S. e
ROWLANDS, D. S. (2000), os nadadores de fundo apresentam estatura média (185 cm), mais alta do que os
ciclistas profissionais e do que os triatletas.
Característica antropométrica –
estatura média de
triathletas apresentados em diversos
estudos.
Estudo
|
n
|
ESTATURA (cm)
|
Albrecht et al. (1986)
|
9
|
181,6
|
Kohrt et al. (1987)
|
8
|
179,4
|
Kreider (1988)
|
9
|
179,4
|
Roalstad (1989)
|
10
|
181,9
|
Schneider et al. (1990) [elite]
|
10
|
179,3
|
Sleivert and Wenger (1993)
|
18
|
180,0
|
Miura et al. (1997)
|
17
|
171,1
|
Hue et al. (1998)
|
7
|
180,4
|
M
|
11
|
179,14
|
SD
|
4,14
|
3,40
|
Fonte: Hue, O., Le-Gallais, D. Boussana, A.
Chollet, D. e Prefaut, C. 2000, p. 104.
Os dados antropométricos são
de grande importância para os triathletas. Os atletas com comprimentos maiores
podem ter alguma vantagem sobre os atletas com comprimentos corporais menores,
devido ao maior comprimento de alavancas, promovendo assim, uma melhor
capacidade de deslocamento por amplitude de movimentos maiores com uma menor
freqüência de movimentos (TOWNSEND, M. A. R, 1995).
Segundo Toussaint, H. M. (1990), os nadadores
apresentam uma maior distância por braçada e uma menor freqüência do que os
triatletas (1,23 m
x 0,92 m)
proporcionando uma maior velocidade de deslocamento (1,17 m.s-1 x 0,95 m.s-1).
Toussanit verificou que os triathletas gastam mais energia para produzir
movimento (45 W) do que os nadadores (32 W) e, que os triatletas despendem mais
tempo fazendo treinamento para desenvolver as qualidades físicas realizando
pouco trabalho para desenvolver a técnica do nado crawl. Contudo, em seus
estudos não foram verificadas as influências dos comprimentos corporais nas
alavancas.
A atualmente a elite do
triathlon, que compreende os atletas de alta performance tem uma população de
50 atletas olímpicos (ITU, 2001).
A média de idade dos atletas de
triathlon de alto rendimento do Rio de Janeiro é aproximadamente de 28,13 ± 5,60 anos,
peso igual a 68,31 ± 6,05kg e estatura com 176,10 ± 3,41cm. Para o mesmo grupo o percentual
de gordura corporal, utilizando o protocolo de Pollock, com sete dobras
cutâneas, foram 4,9 ± 1,45%.
Utilizando o protocolo de Faulkner, foram de 9,5 ± 0,74%.
No mesmo estudo os valores médios do
somatotipo caracterizaram os atletas como meso-ectomórfico (1,55 - 4,22 -
2,99). O valor baixo para o componente endomorfico parece este associado ao
grande volume de treinamento. Entretanto o valor alto para o componente
mesomórfico pode esta associado ao pratica da natação e ao elevado componente
neuromuscular do ciclismo.
Os valor médio do consumo máximo
de oxigênio VO2
max de 66,76 a
73,06 ml.kg-1.min-1. Diferentes estudos tem mostrado
valores variados para o consumo de oxigênio, principalmente devido ao n dos
estudos e os diferentes níveis de performance de cada grupo. Segundo, HUE, O.
et al. (2000) os valores do VO2max no cicloergômetro e na esteira em triatletas
de elite (75,9 ± 5,2 e 78,5 ± 3,6 ml.kg-1.min-1 respectivamente) apresentam uma
diferença de apenas 3,31%.
O estudo dermatoglífico dos triathletas de alta performance do Rio de
Janeiro, apresentou na configuração gráfica dos dedos: A (arco) = - 0,10 a 1,8; L (presilha) = 4,6 a 8,4; W (verticilo)= 1 a 4,8; D10 (índice delta)= 9,8 a 14,8; SQTL (somatório
da quantidade total de linhas)= 90,8
a 146,4. A seguinte formula digital (%) analisada: ALW=10%,
10L=20%, L>W=40% W>L=30%. A presença do laço nos triatlhetas avaliados
está associada à elevada capacidade oxidadativa das fibras intermediárias e a
adaptação das fibras CR ao alto volume de treinamento. A intensidade média
mantida nessas provas acima esta acima
de 85% do VO2 max, aonde são solicitados as fibras de Tipo I, Tipo
IIa e IIb, para a manutenção da atividade.
A quantidade encontrada para o índice SQTL (118,6 ± 44,92)
caracteriza um misto entre força relativa e resistência física. Esses dados
mostram-se significantes quando comparados aos dados apresentado por Abramova, et al (1995) para os ciclistas de estrada
(139,1 ± 28,3) e de velódromo (128,1 ± 34,1).
A quantidade de arcos “A” (6%)
encontrado neste grupo aproxima-se do apresentado por Abramova et al. (1995)
(A= 1,8%) para o ciclismo de estrada, o aumento do percentual de presilhas “L”
(65%) está próximo ao valor apresentado pelo mesmo autor (63,5%), enquanto o
percentual de verticilo “W” (29%) assemelha-se ao percentual de 27%.