PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO NO TRIATHLON (PARTE 1)


 Professor Marco Angelo, mestre em Ciência da Motricidade Humana, Pós-graduado em Ciência do Treinamento Desportivo, especialista em Análise do Movimento e Bikefit, Técnico de Triathlon CBTri/Patco, CREFI 05903/G-RJ.

Durante o exercício prolongado como o triathlon, o desempenho físico depende da capacidade do organismo de captar, transportar e utilizar oxigênio, assim como da disponibilidade de substratos energéticos e das reações enzimáticas. A demanda fisiológica da prática das três modalidades impõe aos triathletas o desenvolvimento de características distintas à cada uma das provas. Em especial, a prática sequenciada das três modalidades que compõe o triathlon induz a adaptações musculares, periféricas e centrais específicas as intensidades impostas pelo programa de treinamento. A prática da corrida após o ciclismo no triathlon é afetada na fase inicial da corrida em função do custo energético e da mecânica dos movimentos. Os dados sobre o consumo máximo de oxigênio (V02max), limiares ventilatórios (LV1 e LV2), potência aeróbia máxima sustentada (PAMS) e potência máxima sustentada (PMS) devem ser conhecidos para que sejam determinadas as intensidades (Z1, Z2, Z3, Z4 E Z5) corretas de treino e a competição.

 

O consumo máximo de oxigênio pode ser definido como o maior volume de oxigênio por unidade de tempo que um indivíduo consegue captar, respirando ar atmosférico e, utilizado pela musculatura durante o exercício. É alcançado quando se atinge níveis máximos de débito cardíaco e de extração periférica de oxigênio, não ultrapassando com a elevação carga de trabalho muscular. Aumenta linearmente com o trabalho muscular crescente é expresso de forma absoluta (l/min-1) e relativa à massa corporal (ml.kg-1.min-1).

 

Essas variáveis metabólicas se mostram distintas em função da distância da prova. Quando as distâncias aumentam a relação entre o VO2max e os tempos diminuem. Tem se observado uma boa correlação entre a PAMS e o tempo de desempenho nos 40 km de ciclismo. Contudo a correlação é maior entre o VO2max e o tempo de prova nos 20 km de ciclismo do “short-triathlon”. O consumo máximo de oxigênio não tem se mostrado um fator determinante em provas longas, sendo os limiares ventilatórios mais indicados para a prescrição e controle do exercício.

 

Em 1964, WASSERMAN & McLORRY, introduziram o termo “Limiar anaeróbio” e propuseram o uso de parâmetros ventilatórios para detectarem o início da acidose metabólica durante o exercício de cargas progressivas. Posteriormente, em estudos realizados no final da década de 70 e início da década de 80, WASSERMAN e colaboradores (DAVIS, et al, 1979; DAVIS et al, 1982) refinaram sua metodologia não invasiva para determinar o Lan. Como a metodologia proposta utiliza-se os parâmetros ventilatórios, alguns autores preferem o termo “Limiar Ventilatório”, principalmente para se diferenciar dos métodos que utilizam o lactado sanguíneo, em que empregam o termo Limiar de Lactato.

 

O limiar anaeróbio (LA) na fisiologia ou primeiro limiar ventilatório 1 (LV1), dependendo do método de sua determinação é definido inicialmente como a intensidade do exercício logo abaixo do ponto onde a concentração sanguínea de lactado [La] aumenta acima dos níveis de repouso, ocorrendo também um aumento linear da ventilação (VE), produção de dióxido de carbono (VCO2) e a consumo de oxigênio VCO2. O segundo limiar ventilatório (LV2) ou limiar anaeróbico para o treinamento, descreve o ponto em que a produção de CO2 e o consumo de oxigênio O2 são iguais e, ao ultrapassar o LV2 a ventilação pulmonar (VE) e a produção de dióxido de carbono (CO2) aumentam desproporcionalmente em relação ao consumo de oxigênio durante o exercício progressivo. A medida das variáveis respiratórias (VE,VO2 e VCO2), no momento em que ocorrem alterações significativas na Ventilação Minuto (VE) e nas concentrações de CO2 do ar expirado, correlacionando-as com a potência (watt), frequência cardíaca, velocidade e ritmo são determinantes para a elaboração precisa do treinamento para o triatleta.

 

As medidas das variáveis respiratórias (VE, VO2 e VCO2) estão relacionadas diretamente com o tipo de substrato energético utilizado para a produção energia. O uso do glicogênio muscular, glicose sanguínea e das gorduras são específicas à intensidade e a duração do exercício físico. Sendo assim, um exercício realizado nas zonas do LV2 (z4) e VO2max (z5) consomem exclusivamente glicogênio muscular. Os exercícios próximos ao segundo limiar ventilatório tendem a consumir tanto o carboidrato como a gordura, dependendo do nível de treinamento e das adaptações metabólicas. O consumo de gordura fica elevado por volta de 70 a 80 %VO2max, em que há maior demanda pelo nutriente, mas depende também do percentual do consumo máximo de oxigênio (%VO2max) relacionado com o segundo limiar ventilatório, índice glicêmico e fatores ambientais. Exercícios próximos LV1 consomem gordura e glicose sanguínea, porém o seu efeito fisiológico ocorre com altos volumes de atividade.

 

A relação entre as variáveis fisiológicas e dados como o ritmo, velocidade, potência e, inclusive o esforço percebido, permitem a elaboração de planos de treinamento individualizados de forma precisa para cada tipo de modalidade do triathlon e da competição. Em função do grande número de sessões de treinamento e do volume geral as variáveis fisiológicas permitem que seja determinado o custo energético das atividades e o controle mais eficiente das cargas fisiológicas de estresse e da recuperação.

 

Bouchard, C.; Rankinen, T.; Timmons, J.A. Genomics and genetics in the biology of adaptation to exercise. Compr. Physiol. 2011, 1, 1603–1648.

Clemente Suarez, V.J.; González-Ravé, J.M. Four weeks of training with diferent aerobic workload distributions—Efect on aerobic performance. Eur. J. Sport Sci. 2014, 14, S1–S7.

Gabbett, T.J.; Hulin, B.T.; Blanch, P.; Whiteley, R. High training workloads alone do not cause sports injuries: How you get there is the real issue. Br. J. Sports Med. 2016, 50, 444–445.

Gleeson M. Immune system adaptation in elite athletes. Curr Opin Clin Nutr Metab Care 2006;9:659-65.

Halson, S.L. Monitoring training load to understand fatigue in athletes. Sports Med. 2014, 44 (Suppl. 2), S139–S147.

Millet, G.P.; Candau, R.B.; Barbier, B.; Busso, T.; Rouillon, J.D.; Chatard, J.C. Modelling the transfers of training efects on performance in elite triathletes. Int. J. Sports Med. 2002, 23, 55–63.


Braçada do nado Crawl.

Da entrada ao "agarre". 

     A downstroke ou varredura para baixo determina a dinâmica do nado. Quando o nadador tenta antecipar a aplicação de força, além de criar resistência ao deslocamento horizontal cria oscilação vertical o lesão no ombro. 

    Nessa fase da entrada ao agarre o nadador não aplica força, pois não é uma fase propulsiva. Após a entrada a trajetória da mão e antebraço segue até uma posição em que o cotovelo fique mais baixo que os ombros. A flexão do punho facilita a movimentação do braço à posição correta, em função da pressão da massa d'água sobre a mão. 

    Ao aplicar força nessa fase a cabeça do úmero sobe, pressionando a estrutura mole, muitas vezes causando a famosa síndrome do ombro do nadador. Grandes nadadores mantêm os dedos afastados para reduzir a pressão da água, reduzindo a carga no ombro. O nadador só deve aplicar força após o "agarre". 

Prof. Marco Angelo, MSc. Cref1: 5903/G

@coach_marco_angelo 
Parâmetros fisiológicos e prescrição do treinamento no triathlon
Postada 27/11/2020,  Artigo do Professor Marco Angelo Barbosa dos Anjos, mestre em Ciência da Motricidade Humana, Pós-graduado em Ciência do Treinamento Desportivo, especialista em Análise do Movimento e Bikefit, Técnico de Triathlon CBTri/Patco, CREFI 05903/G-RJ. 

Explica a relação da intensidade do treinamento com as variáveis fisiológicas, principalmente a ventilatória no triathlon. 

Para ler o artigo na íntegra acesse o link abaixo: 

Curso Sobre Treinamento Aeróbico Online

Curso sobre Treinamento Aeróbico, dinamizado para a aprendizagem online. No curso serão abordados os métodos de treinamento, zonas de treino baseados nos conceitos do limiar de potencial funcional (FTP) e nos limiares ventilatórios 1 e 2. O volume e cargas de treino, além das medidas de VO2max, quantidade de gordura corporal e carboidratos. Também os participantes aprenderam o desenvolvimento de uma boa prescrição do treinamento

O curso acontecerá no dia, 25/7/20. Tem Duração de 4hs (9-13hs). O curso custa somente R$90,00 e pode ser pago parcelado pelo pagseguro. Pagamento até 24/7/20. Apenas: R$90,00.

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Temperatura Ambiente e Regulação


TEMPERATURA AMBIENTE, VOLUME SAGUÍNEO, HIDRATAÇÃO E TREINAMENTO
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A pratica de esportes de Endurance são benéficos a saúde, porém, a preocupação com a temperatura corporal, ambiental e ingestão de líquidos não devem ser esquecidas nem pormenorizadas. Quando treinamos e competimos a maior parte da nossa energia produzida é perdida sob a forma de calor. Portanto, necessitamos que o nosso organismo tenha habilidades para perder esse calor. Não só os carros sofrem de superaquecimento, nós também sofremos!
Na verdade é necessário uma pequena elevação da temperatura corporal para melhorar a dissociação do oxigênio da hemoglobina e da mioglobina, aumento do fluxo sanguíneo nos músculos solicitados na atividade, redução na viscosidade articular que permite uma melhor contração muscular, aumento da sensibilidade dos receptores nervosos com um aumento na velocidade dos impulsos nervosos para o grupamento muscular solicitado melhorando o posicionamento das articulações do corpo para o gesto esportivo. Porém, um constante aumento na temperatura corporal pode gerar graves danos ao nosso organismo levando até a morte.
A produção de energia depende da intensidade do exercício, roupa utilizada e da perda de calor, além desses fatores as condições ambientais: umidade relativa do ar (URA) e a radiação solar.
Para manter o equilíbrio térmico o nosso organismo utiliza a RADIAÇÃO, CONDUÇÃO, CONVECÇÃO E EVAPORAÇÃO sendo estes dois últimos fenômenos os mais e eficazes durante os treinos e competições de endurance.

RADIAÇÃO
gerado pela vibração das moléculas de um corpo que com isso, gera constantemente calor. Um corpo mais quente irá radiar calor a um mais frio. (ex.: radiação solar sobre o homem).
CONDUÇÃO
transferência de calor entre objetos em contato direto. (ex: roupa e a pele).
CONVECÇÃO
ocorre quando o fluxo de ar mais frio passa pelo corpo, com isso, o corpo perde calor para as moléculas de ar que entram em contato com o corpo.
EVAPORAÇÃO
ocorre quando um líquido "suor" é transformado em vapor na superfície da pele. Há uma perda de calor do corpo para a atmosfera. Se a transpiração "suor" escorre não há perda de calor, ou seja, não há resfriamento do corpo.

Todos os fenômenos citados a cima dependem das condições ambientais. Quanto maior for a umidade relativa do ar (maior saturação de líquidos), menor será a quantidade de calor perdida por evaporação e quanto maior a radiação solar, menor será a perda de calor por convecção. Sugere-se que as condições ambientais ideais para a prática dos esportes de endurance sejam com uma baixa temperatura e a uma baixa URA, isso não significa que devemos nadar a 17º Celsius.
Continua na semana seguinte.