Onde estão os projetos esportivos do Brasil?

   Criticamos o país, mas nós mesmos não fazemos a nossa parte. Qual o papel dos clubes e escolinhas? Se não estão integradas em um projeto esportivo, nenhum. Na realidade, o Brasil como governo deveria investir em um projeto esportivo que integre os centros de prática esportiva e de atividade física, que seja iniciado na escola e coordene a relação entre a iniciação esportiva, esportes como prática à saúde; esportes na faixa etária; alto rendimento distrital, municipal, estadual, regional, mundial e olímpico. O resto cabe as confederações e federações. O que elas devem  fazer? 
   Como exemplo o modelo americano, o governo não investe 1 dólar, mas cada confederação e federação tem sua própria cota com patrocinadores e fazem o trabalho como deveria ser feito aqui. O nosso problema esta relacionado à falta de coordenação entre o que deve ser feito, onde e como?
  A prática da atividade física na infância esta associada a poucos professores de educação física ou amantes do esporte e iniciam um projeto de iniciação, mas acaba parando por ai, pois ao saírem da escola ou mudarem de região não tem par aonde ir. Com clubes mal estruturados e dirigentes amadores o esporte "amador" fica de lado. 
  Como podemos pensar em esporte como inclusão social se, na maioria das vezes o que gera é frustração por ter que abandonar a prática para trabalhar a fim de se sustentar. Patrocinar quem está no topo não adianta, não há renovação e hoje estamos pagando por isso.

Treinamento de ritmo de prova

  Muitas vezes ouvimos numa competição um atleta falando: "meu coração parece que vai sair pela boca!" E ainda, aquele que dispara loucamente no início da prova e, após, cinco minutos ele é ultrapassado por todos que ele havia ultrapassado, permanecendo assim, até não conseguir mais correr, pedalar ou nadar. 

  Em uma prova como triathlon, natação e corridas longas o atleta deve economizar no início o máximo de energia possível para poder terminá-la, mas isso, não caracteriza que o atleta irá ter sucesso. É necessário que se conheça as verdadeiras possibilidades do atleta, numa avaliação física prévia e que determine-se a performance numa determinada prova, definindo a sua velocidade média de deslocamento. Tentar "sprintar" sucessivamente no início da prova estará fazendo com que o organismo utilize o glicogênio muscular como fonte principal de produção de energia e, que não será reposto em hipótese alguma  durante a prova, fazendo com que as reservas de glicogênio diminuam e, também a performance no decorrer da prova fazendo com que muitas vezes não a complete.

  O ritmo de prova deve ser estabelecido previamente, calculando-se o tempo que deve ser gasto para completar cada quilometro (km), e se possível cada 500 m, 100 m e 50m, para permitir um excelente controle pelo atleta. A necessidade de manter-se um ritmo constante é saber exatamente qual o potencial das reservas de glicogênio muscular.

  O treinamento de ritmo possibilita um atleta acostumar a trabalhar na mesma velocidade de competição e, portanto, deve ser executado na mesma velocidade que o atleta deverá manter na competição alvo. Logo, observa-se que o treinamento deve ser específico, isto é, o ciclista deve pedalar, o nadador deve nadar, o triathleta deve treinar no ritmo determinado para cada modalidade. 

  O objetivo do treinamento de ritmo é possibilitar adaptações fisiológicas, em principais: "o recrutamento de fibras musculares e a elevada frequência cardíaca e respiratória"; psicológicas ao ritmo que ele deverá executar no dia da competição alvo. 

  As sessões de treinamento de ritmo devem ser executadas num determinado percentual da distância da prova que é estabelecido de acordo com fase do treinamento e da periodização da temporada de competição. Estas sessões devem fazer parte do treino a cada 7 dias na fase específica e a cada 3 dias no período de competição; devido as elevadas intensidade e a pouca distância completada não devem ser programadas na fase básica da periodização do treinamento.

  Quanto melhor a performance do atleta maior deverá ser a distância utilizada no treino e quanto menor a performance do atleta menor será ser a distância do treino, permitindo que mais sessões em alta intensidade sejam estabelecidas para o atleta de melhor nível. O treinamento deverá ser feito do mesmo modo que o interval-training, isto é, em séries e repetições.

Natação - Eficiência mecânica da braçada

 "O máximo de eficiência na água é obtido deslocando grande quantidade de água em uma curta distância, do que, empurrando pequena quantidade de água a longa distância". Este texto se refere ao deslocamento das mãos no meio líquido, que deve obedecer aos princípios hidrodinâmicos e da física. Erronemente, muitas vezes é traduzido como "empurrando", o que contradiz os principios da hidrodinâmica, pois nesse caso, não está se levando em consideração que o corpo se desloca em relação a mão e, o deslocamento da mão para tráz é muito pequeno. Os maires deslocamento são laterais, que garante a eficiência na propulsão.
 
 "Para toda ação há uma reação igual e oposta. Quando um corpo exerce uma força sobre o outro, recebe daquele uma reação igual em direção e intensidade e, contrária em sentido". Está lei, chamada de lei da ação e reação é uma das leis da física mais importante na natação.

 A "tração", moviemtno de varrredura para baixo, dentro e para cima, com pequeno grau para fora, com flexão de braço e de cotovelo é a que produz maior propulsão porque minimiza os componentes para cima e para baixo, proporcionando uma melhor propulsão para frente (Fig. 1). A "tração" com o cotovelo esticado produz uma desvantagem devido a mecânica desfavorável encontrado na puxada do braço. A força exercida para a execução da puxada aumenta linearmente com a extensão da resistência do braço (Fig. 2). Devido biomecânica desfavorável deste movimento não ocorre a transferência de força dos grandes grupos musculares do tronco na fase final da braçada. Nos pontos A e B a força aplicada para baixo são demasiadas, nos pontos D e E as força para cima são excessiva. Isto faz com que o nadador projete seu corpo para cima e A e B e para baixo em D e E desequilibrando-se na água. E com pouca propulsão para frente se observado a lei de ação e reação.
Figura 1 Técnica correta com fexão de braço e cotovelo. Fig. 2. Técnica de tração imprópria com o cotovelo estendido.

  
As ações motoras estam relacionadas as funções dos membros e a sua articulação ao tronco. Isto é verdade? Exclamados por treinadores, entretanto, esquecem que o posicionamento correto das mãos garantem o sucesso na propulsão em todos os estilos, e principalmente no crawl. A mão deve permanecer perpendicular a direção do nado e, o nadador deve procurar sempre uma massa de água parada fazendo uma "S" com os membros superiores na fase aquática.

  Quanto pior o domínio da técnica das ações do braço, acarretará desequilíbrios e oscilações observáveis nos diferentes planos do espaço. Muito comum são as oscilações laterais que estam ligadas a uma passagem dos braços afastado (exteriormente ou interiormente) ao plano vertical do eixo de deslocamento (Fig.3).

Natação - Eficiência Mecânica

  A tecnologia junto com a ciência e suas leis, teoremas e teorias têm permitido uma grande evolução no estudo da biomecânica relacionada aos gestos esportivos e, assim, como: o ciclismo, a corrida, a natação também sofreu grande evolução.


  A evolução da hidrodinâmica determinou que a existência de um bordo de ataque e um bordo de fuga devem ser levados em consideração quando desejarmos orientarmos-no em respeito ao posicionamento do corpo num fluído e, isso, determina que o bordo de ataque cortará a lâmina d'água fazendo com que esta desloque-se até o bordo de fuga, sendo esse corpo chamando fólio. Assim, as mãos equiparam-se a um fólio quando posicionados em um fluído. Desta forma evitando que seja criado uma grande turbulência quando o fluído desloca-se sobre o este corpo.


  Como visto em "Nade Rápido" na edição 20/99; sobre o posicionamento dos braços durante a fase aquática, as mãos têm grande importância na propulsão, assim, como os pés. E essas partes do corpo devem estar posicionadas em determinados ângulos para que o efeito propulsivo seja máximo. Sendo, o lado do dedo polegar indicado como o bordo de ataque e o lado do dedo de mínimo como o bordo de fuga (Maglisho, 1999).


  Pesquisadores como (Maglisho et al.,1986; Hay, 1988, Schleihauf et al., 1983) mostraram em seus estudo sobre biomecânica da natação que, o posicionamento das mãos na água devem estabelecer uma ângulo de ataque de aproximadamente 20 a 50 graus em toda fase aquática, sendo, o ângulo de 40 graus, o que obteve o maior coeficiente de sustentação. Os ângulos menores e maiores são poucos favoráveis a propulsão. Ao contrário do que pensava-se o posicionamento das mãos com um angulo de ataque de 90 graus, logo, perpendicular a direção do movimento produz efeitos catastróficos, pois, as moléculas de água chocam-se com as palmas das mãos e são impelida aleatoriamente para todos os lados fazendo com que uma grande turbulência seja criada devido ao enorme arrasto produzido e, diminuindo a propulsão. Esse fenômeno ocorre porque as moléculas de água deslocam-se sob a forma de lâminas. E o rompimento dessas lâminas causam o deslocamento das moléculas de água gerando a turbulência reduzindo, assim, a propulsão que poderia ser gerada.


  Apesar de parecer complicado o nadador pode facilmente verificar o ângulo de ataque das suas mãos e pés pela quantidade de bolhas produzida quando estes movimentam-se na água. Quanto mais bolhas forem observadas piores são os ângulos de ataque e menor será a propulsão do nadador. Logo, para que se obtenha um ângulo de ataque mais próximo do correto o nadador deve gerar o mínimo de bolhas possível.



Características fisiológicas do triathlon

   A demanda fisiológica da prática seqüenciada das três modalidades é única” (SLEIVERT; ROWLANDS, 2000, p. 4). O atleta de triathlon de alta performance deve possuir características próprias para a modalidade (ITU, 2001).  A primeira determinante do sucesso no triatlo é a capacidade de sustentar um alto percentual de despediu energético por um prolongado período de tempo” (O’TOLLE; DOUGLAS, 1995, p. 251).  

   O consumo máximo de oxigênio (VO2) é um fator determinante na performance (LAURSEN, P.B. e RHODES, E. C., 2001).  Quando as distâncias do triathlon aumentam a relação entre o VO2max  e o tempo de performance diminuem (O’TOOLE, M. L. e DOUGLAS, P. S. 1995). O VO2max ou a PMS, em teste no cicloergômetro, mostra alta correlação com o tempo nos 40km de ciclismo e o tempo completo da prova (r= -0,91 e -0,86, respectivamente) SCHABORT, E. J e col. (2000).  Não há relação entre LA e o IRONMAN. Não existe diferença significativa entre o VO2max e os limiares ventilatórios mensurado na esteira e cicloergômetros em triatletas de elite.

   A posição abaixada no ciclismo gera diminuição da capacidade de difusão pulmonar pela diminuição da capacidade inspiratória máxima, provocando um aumento da taxa de trabalho do diafragma que gerou um quadro de edema. A capacidade inspiratória máxima tende a aumentar durante a corrida após o ciclismo revertendo o quadro edemático.
  
Dados importantes mostram:
  1. Aumento na VE/VO2 no segmento corrida após o ciclismo.
  2. Diminuição da PaO2 e DLCO2 no segmento corrida após o ciclismo.
  3. Efeitos da transição C-R podem durar 8 minutos.
  4. O vacúo reduz em até 30% no gasto energético.
    1. Lactato no final da natação foi de 8,4 ± 0,5 mmol/L, com o uso do vácuo 4,0 ± 0,3 mmol/L.  
    2. Lactato no final do ciclismo os valores encontrados foram de 8,4 ±0,5 mmol/L, com o uso do vácuo 4,0 ± 0,3 mmol/L.
    3. Lactato no final da corrida mostrou uma concentração de 7,6 ±0,4 mmol/L, enquanto com o uso do vácuo a concentração de lactato no sangue ficou em torno de 4,1 ±0,7 mmol/L.
       
      Continua.