A Sinergia entre Velocidade Crítica e Training Impulse: Otimizando o Treinamento de Natação

 


            

           O treinamento esportivo moderno exige uma abordagem cada vez mais científica e personalizada. No universo da natação, onde a margem entre a vitória e a derrota é medida em milissegundos, a precisão na prescrição e no controle da carga de treino é fundamental. Dois conceitos se destacam como pilares dessa otimização: a Velocidade Crítica (VC) e o Training Impulse (TRIMP), especialmente em suas variações propostas por Lucias, Banister e Stagno.

Velocidade Crítica (VC): O Limiar Aeróbio do Nadador

               A Velocidade Crítica (VC), ou Critical Swim Speed (CSS), é definida como a velocidade mais alta que um nadador pode manter de forma contínua e estável, predominantemente através do metabolismo aeróbio, sem uma acumulação progressiva de lactato no sangue [1] [2]. Em termos práticos, a VC é frequentemente considerada o limiar aeróbio do nadador, sendo um excelente indicador da capacidade aeróbia e um critério objetivo para a prescrição e planificação de treinos [3].

 

Como a VC é Determinada?

               A determinação da VC é relativamente simples e não invasiva, sendo um dos seus grandes atrativos. O método mais comum envolve a realização de dois testes de nado máximo em distâncias diferentes, tipicamente 200 metros e 400 metros [4].

1.         Teste 1: Nado de 200 metros na velocidade máxima (T1).

2.         Teste 2: Nado de 400 metros na velocidade máxima (T2).

               A VC é calculada através de uma regressão linear, onde a distância (D) é plotada em função do tempo (T). A fórmula simplificada para o cálculo é:

               Onde D1 e D2 são as distâncias (200m e 400m) e T1 e T2 são os tempos correspondentes. O resultado é uma velocidade (m/s ou min/100m) que serve como um poderoso indicador da capacidade aeróbia do atleta [5].

 

Aplicação da VC no Treinamento

               A VC não é apenas um indicador de fitness, mas uma ferramenta de prescrição de treino. Ela estabelece a intensidade ideal para o treinamento de resistência de alta intensidade (limiar) [6].

           Treinos de Limiar: Sessões realizadas na velocidade da VC ou ligeiramente acima (por exemplo, 100% a 105% da VC) são extremamente eficazes para aumentar a capacidade aeróbia e a tolerância ao lactato.

           Controle de Ritmo: A VC fornece um ritmo de referência objetivo, permitindo que o nadador e o treinador monitorem a aderência à intensidade planejada.

 

Training Impulse (TRIMP): Quantificando a Carga Interna

               Enquanto a VC define a intensidade ideal, o Training Impulse (TRIMP) é a métrica utilizada para quantificar a carga interna total de uma sessão de treinamento [7]. Desenvolvido originalmente por Eric Banister, o TRIMP utiliza a frequência cardíaca (FC) para medir o estresse fisiológico imposto ao atleta, considerando a duração do exercício e a elevação da FC em relação à FC de repouso e à FC máxima [8].

 

As Variações de TRIMP: Lucias, Banister e Stagno

               O conceito de TRIMP evoluiu, dando origem a variações que buscam maior precisão ou simplicidade em diferentes contextos esportivos [9]:

VARIAÇÃO DO TRIMP

FOCO PRINCIPAL

METODOLOGIA DE CÁLCULO

APLICAÇÃO NA NATAÇÃO

TRIMP de Banister

Carga interna geral

Utiliza a duração do exercício e uma função exponencial da Frequência Cardíaca (FC) relativa.

Base para quantificação, mas a medição contínua da FC na água pode ser desafiadora.

TRIMP de Lucias

Zonas de intensidade

Simplifica o cálculo ao dividir o treino em três zonas de intensidade baseadas nos Limiares Ventilatórios (LV1 e LV2), atribuindo um coeficiente (1, 2 ou 3) a cada zona [10].

Útil para treinos de natação onde as zonas de esforço são bem definidas, como em séries de limiar e VO2máx.

TRIMP de Stagno

Esportes intermitentes

Adaptação do TRIMP de Banister, frequentemente utilizada em esportes com alta variabilidade de intensidade, mas que pode ser adaptada para nados intermitentes [11].

Menos comum na natação contínua, mas relevante para treinos com muitos starts e paradas ou em esportes aquáticos como o polo aquático.

               Para a natação, o TRIMP de Lucias é particularmente atraente devido à sua simplicidade e alinhamento com as zonas de treinamento baseadas em limiares fisiológicos. O método de Lucias atribui um peso (coeficiente) à duração do tempo gasto em cada zona de intensidade (baixa, moderada e alta), facilitando a quantificação da carga [10].

 

Elaboração de Sessões de Treinamento: A Integração VC e TRIMP

 

               A verdadeira potência desses conceitos reside na sua integração. A VC fornece o parâmetro de intensidade (o “quão rápido”), e o TRIMP fornece o parâmetro de volume/estresse (o “quão pesado”).

 

Exemplo Prático de Prescrição

               Suponha que um nadador tenha uma VC de 1:30/100m. O treinador deseja prescrever uma sessão de limiar aeróbio com uma carga interna específica (TRIMP alvo).

Componente da Sessão

Intensidade (Baseada na VC)

Duração/Volume

Carga Interna Estimada (TRIMP de Lucias)

Aquecimento

Leve (abaixo de 90% da VC)

15 minutos

Baixa (Zona 1)

Série Principal

Limiar (100% a 105% da VC)

8 x 100m a 1:28/100m, com 15s de descanso

Alta (Zona 3)

Volta à Calma

Leve

10 minutos

Baixa (Zona 1)

              

               Ao planejar o TRIMP alvo para a semana ou o microciclo, o treinador pode manipular o volume, a intensidade e a densidade das séries (tempo de descanso) para atingir a carga desejada. Isso garante que o estresse fisiológico seja o suficiente para gerar adaptação, mas não excessivo a ponto de causar overtraining.

Conclusão

               A combinação da Velocidade Crítica como um marcador de intensidade preciso e objetivo, e do Training Impulse (em suas variações como a de Lucias) como um quantificador robusto da carga interna, oferece aos treinadores de natação uma metodologia poderosa para otimizar o desempenho. Ao mover o treinamento da intuição para a ciência, é possível maximizar as adaptações fisiológicas, gerenciar o risco de lesões e, em última análise, levar o nadador a atingir seu potencial máximo na piscina.


Referências

[1] Garmin. O Que é Velocidade Crítica de Natação? Disponível em: https://support.garmin.com/pt-BR/?faq=h56ydwZxU8A7oi2OSh0y66 [2] Franken, M. (2011). Velocidade crítica em natação: fundamentos e aplicação. Motriz, 17(2), 336-343. Disponível em: https://www.scielo.br/j/motriz/a/X69wQBKB4jptYf5wjr5hQCd/ [3] Sousa, J. (2008). Velocidade crítica. Repositório Aberto da Universidade do Porto. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/14555/2/38577.pdf [4] MyProCoach. Simple CSS Calculator with Swim Training Zones. Disponível em: https://www.myprocoach.net/calculators/critical-swim-speed/ [5] Raimundo, J. A. G. (2018). Velocidade crítica e índices de capacidade aeróbia na natação. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/882917/velocidade-critica-e-indices-de-capacidade-aerobia-na-natacao-u_Gvvrk4p.pdf [6] TrainingPeaks. How to Use Critical Swim Speed Training. Disponível em: https://www.trainingpeaks.com/blog/how-to-use-critical-swim-speed-training/ [7] Training Impulse. Banisters TRIMP. Disponível em: https://www.trainingimpulse.com/banisters-trimp-0 [8] Banister, E. W. (1991). Modeling training: acute and chronic responses. Medicine and Science in Sports and Exercise, 23(9), 1055-1062. [9] Milanez, V. F. (2012). Aplicação de diferentes métodos de quantificação de carga de treinamento. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 18(3), 177-181. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbme/a/kd8RLyCwnm3KNM5SbnTdg4B/?lang=en [10] Training Impulse. Lucias TRIMP. Disponível em: https://www.trainingimpulse.com/lucias-trimp-0 [11] Stagno, K. M., Thatcher, R., & Van Someren, K. A. (2007). A modified TRIMP to quantify the training load of field hockey players. Journal of Sports Sciences, 25(8), 861-867. Disponível em: https://www.trainingimpulse.com/stagnos-trimp

TRIMP (Training Impulse) e o TSS (Training Stress Score)

 

 


Este manual tem como objetivo detalhar duas das métricas mais importantes para a quantificação da carga de treinamento em esportes de resistência: o TRIMP (Training Impulse) e o TSS (Training Stress Score). Ambas as métricas buscam fornecer uma medida objetiva do estresse fisiológico imposto ao atleta durante uma sessão de exercícios, auxiliando no monitoramento, planejamento e otimização do treinamento.


TRIMP (Training Impulse)

O TRIMP, ou Impulso de Treinamento, é uma métrica que quantifica a carga de treinamento de uma sessão de exercícios, integrando a DURAÇÃO e a INTENSIDADE do treino para fornecer um valor numérico único que representa o estresse fisiológico. Desenvolvido pelo fisiologista esportivo Eric Banister, o TRIMP tem como base principal a frequência cardíaca.

 

MODELOS DE CÁLCULO DO TRIMP

Existem diferentes modelos matemáticos para calcular o TRIMP, cada um com suas próprias vantagens e aplicações:

 

1. TRIMP de Banister (O Modelo Original)

Proposto por Eric Banister em 1991, este modelo é altamente individualizado, levando em conta a resposta da frequência cardíaca de cada atleta e ponderando a intensidade de forma exponencial. Isso significa que o tempo gasto em frequências cardíacas mais altas contribui muito mais para a pontuação final. O é altamente individualizado, reflete bem o estresse metabólico. Mas Requer conhecimento preciso da FC de repouso e máxima e o cálculo complexo.

Fórmula:

TRIMP = Duração (min) × ΔFCr × Fator de Ponderação (y)

Onde:

ü  Duração: Tempo total do treino em minutos.

ü  ΔFCr (Delta FC ratio): Fração da sua “reserva de frequência cardíaca” utilizada durante o treino.

ü  ΔFCr = (FCmédia do treino - FCrepouso) / (FCmáxima - FCrepouso) 

ü  Fator de Ponderação (y): Coeficiente que torna a relação exponencial, variando por sexo: *Para homens: y = 0.64 × e^(1.92 × ΔFCr) *Para mulheres: y = 0.86 × e^(1.67 × ΔFCr)

 

2. TRIMP Zonal (Modelo de Edwards)

O modelo proposto por Edwards (1993) é mais prático, pois simplifica o cálculo dividindo a INTENSIDADE em cinco zonas de frequência cardíaca, onde o TEMPO gasto em cada zona é multiplicado por um fator simples. Muito fácil de calcular, intuitivo e compatível com a maioria dos dispositivos. O modelo é menos preciso que o modelo de Banister, pois trata todos os esforços dentro de uma mesma zona com o mesmo peso.

 

Fórmula:

TRIMP = (TZ1 × 1) + (TZ2 × 2) + (TZ3 × 3) + (TZ4 × 4) + (TZ5 × 5)

Onde:

Ø  T_Zx: Tempo em minutos gasto na Zona “x”.

 As Zonas são percentuais da sua Frequência Cardíaca Máxima (FCmáx):

ü  Zona 1 (Z1): 50–60% da FCmáx

ü  Zona 2 (Z2): 60–70% da FCmáx

ü  Zona 3 (Z3): 70–80% da FCmáx

ü  Zona 4 (Z4): 80–90% da FCmáx

ü  Zona 5 (Z5): 90–100% da FCmáx

 

Exemplo Prático (TRIMP de Edwards):

Cenário: Um corredor com  FCmáx = 190 bpm. Treino de 60 minutos.

Zonas de FC: * Z1 (50-60%): 95-114 bpm * Z2 (60-70%): 114-133 bpm * Z3 (70-80%): 133-152 bpm * Z4 (80-90%): 152-171 bpm * Z5 (90-100%): 171-190 bpm

Tempo Gasto em Cada Zona: * Zona 1: 10 minutos * Zona 2: 35 minutos * Zona 3: 0 minutos * Zona 4: 15 minutos * Zona 5: 0 minutos

Cálculo:

TRIMP = (10 × 1) + (35 × 2) + (0 × 3) + (15 × 4) + (0 × 5) 

TRIMP = 10 + 70 + 0 + 60 + 0 

TRIMP = 140

O treino gerou 140 TRIMP.

 

3. TRIMP de Lucia (Específico para Limiares)

Este modelo refina o conceito zonal ao focar em três zonas delimitadas por limiares fisiológicos (Limiar Ventilatório 1 - LV1 e Limiar Ventilatório 2 - LV2), que são determinados em testes de esforço em laboratório. Este modelo é mais preciso fisiologicamente, reflete melhor a transição entre os sistemas de produção de energia.  Requer testes de ergoespirometria em laboratório, o que é caro e pouco acessível.

 

Fórmula:

TRIMP = (T_Z1 × 1) + (T_Z2 × 2) + (T_Z3 × 3)

Onde: * Zona 1 (Z1): Intensidade abaixo do LV1. * Zona 2 (Z2): Intensidade entre o LV1 e o LV2. * Zona 3 (Z3): Intensidade acima do LV2.

 

TSS (Training Stress Score)

O TSS, ou Pontuação de Estresse de Treinamento, é uma métrica desenvolvida por Andrew Coggan e popularizada pela plataforma TrainingPeaks. Assim como o TRIMP, o TSS quantifica a carga de treinamento, mas utiliza a potência como principal medida de intensidade. É o padrão-ouro em esportes baseados em potência, como o ciclismo.

Conceitos Fundamentais do TSS

 

Potência Normalizada (Normalized Power® - NP®)

A NP é uma estimativa do custo fisiológico real de um treino, levando em conta as variações de intensidade. Ela representa a potência que você teria mantido se o seu esforço tivesse sido perfeitamente constante durante todo o treino. Diferente da potência média, a NP pondera os picos de esforço, dando a eles um peso desproporcionalmente maior, o que reflete melhor o estresse metabólico. A Potência Normalizada é uma métrica que busca fornecer uma estimativa mais precisa da intensidade fisiológica real de um treino do que a simples potência média. Enquanto a potência média pode ser diminuída por períodos de baixa potência como descidas ou paradas, a Potência Normalizada leva em conta a variabilidade do esforço e dá mais peso aos picos de alta intensidade, que são metabolicamente mais custosos.

O cálculo da Potência Normalizada (NP) é um processo de quatro etapas projetado para refletir a demanda fisiológica real de um treino, suavizando as flutuações de potência, mas dando mais importância aos períodos de alta intensidade.

Calculo:

  1. Cálculo da Média Móvel de 30 segundos: Primeiro, calcula-se uma média móvel de 30 segundos para todos os dados de potência do treino. Isso significa que, para cada ponto de dados, é calculada a média da potência daquele ponto e dos 29 segundos anteriores.

 

  1. Elevar os Valores à Quarta Potência: Cada valor dessa média móvel de 30 segundos é então elevado à quarta potência. Este passo é crucial, pois ele amplifica significativamente o impacto dos picos de alta potência e diminui a importância dos períodos de baixa potência.

 

  1. Calcular a Média dos Valores Elevados: Em seguida, é calculada a média de todos os valores que foram elevados à quarta potência no passo anterior.

 

  1. Tirar a Raiz Quarta da Média: Por fim, a raiz quarta dessa média é calculada. O resultado final é a sua Potência Normalizada (NP) para o treino.

Em resumo, a fórmula é expressa como:

NP = ⁴√ ( Média ( (Média Móvel de 30s da Potência)⁴ ) )

Este método garante que a NP seja sempre igual ou superior à potência média. A única situação em que a Potência Normalizada seria igual à potência média é se a potência fosse mantida perfeitamente constante durante todo o treino, sem qualquer variação.

 

Fator de Intensidade (Intensity Factor® - IF®)

O IF mede o quão intenso o treino foi em relação à capacidade atual do atleta (seu FTP - Functional Threshold Power). É a relação entre a Potência Normalizada (NP) do treino e o FTP do atleta.

Fórmula:

IF = NP / FTP

Cálculo do TSS

O cálculo do TSS é baseado na Potência Normalizada (NP), no Fator de Intensidade (IF) e na duração do treino.

FÓRMULA COMPLETA

TSS = [(Duração em segundos × NP × IF) / (FTP × 3600)] × 100

Onde:

ü  Duração em segundos: Tempo total do treino em segundos.

ü  NP: Potência Normalizada (watts).

ü  IF: Fator de Intensidade (adimensional).

ü  FTP: Functional Threshold Power (watts).

ü  3600: Constante para converter segundos em horas (segundos em uma hora).

Fórmula Simplificada:

TSS = Duração (em horas) × IF² × 100

Ambas as fórmulas produzem o mesmo resultado, sendo a segunda uma reorganização matemática da primeira.

 

Exemplo Prático (TSS):

Cenário: Ciclista com FTP = 250 watts. Treino de 90 minutos (1,5 horas).

Dados do Treino: 

 Duração: 90 minutos (5400 segundos) * Normalized Power (NP): 235 watts

 

Cálculo do IF:

IF = NP / FTP = 235 / 250 = 0,94

 

Cálculo do TSS (Fórmula Simplificada):

TSS = Duração (em horas) × IF² × 100

 

TSS = 1,5 (horas) × (0,94)² × 100 

TSS = 1,5 × 0.8836 × 100 

TSS = 132,54 ≈ 133

Ø  O treino gerou 133 TSS.

 

Cálculo do TSS (Fórmula Completa):

TSS = [(5400 × 235 × 0,94) / (250 × 3600)] × 100 

TSS = [1.192.860 / 900.000] × 100 

TSS = 1.3254 × 100 TSS = 132,54 ≈ 133

O resultado é o mesmo, 133 TSS.

 

Comparação TRIMP vs. TSS

Característica

TRIMP (Training Impulse)

TSS (Training Stress Score)

Base de Cálculo

Frequência Cardíaca

Potência

O que Mede

resposta fisiológica do corpo ao estresse (o quão “caro” o treino foi para o sistema cardiovascular).

trabalho mecânico realizado (a carga de trabalho externa que foi produzida).

Objetividade

Mede a resposta fisiológica ao esforço. Pode ser influenciado por fatores externos (calor, estresse, cafeína).

Mede o trabalho mecânico realizado. É mais objetivo e menos suscetível a variáveis externas.

Esportes Comuns

Corrida, natação, esportes coletivos (onde a potência é difícil de medir).

Ciclismo, corrida com medidor de potência.

Vantagem Principal

Acessível (basta um monitor cardíaco) e reflete o estresse cardiovascular total.

Precisão e consistência na medição da carga de treino.

 

Exemplo de Comparação (TRIMP de Lucia vs. TSS)

Cenário: Ciclista, FTP = 300 watts. LV1 = 140 bpm, LV2 = 165 bpm. Treino de 75 minutos (Sweet Spot).

Dados do Treino: 

Ø  NP: 282 watts  

Ø  Tempo abaixo de 140 bpm (Z1): 20 minutos

Ø  Tempo entre 140 e 165 bpm (Z2): 50 minutos

Ø  Tempo acima de 165 bpm (Z3): 5 minutos

 

Cálculo do TRIMP de Lucia:

TRIMP = (20 × 1) + (50 × 2) + (5 × 3) 

TRIMP = 20 + 100 + 15 

TRIMP = 135

 

Cálculo do TSS:

IF = NP / FTP = 282 / 300 = 0,94 

TSS = 1,25 (horas) × (0,94)² × 100 

TSS = 1,25 × 0,8836 × 100 

TSS = 110,45 ≈ 110

 

Neste exemplo, o TRIMP de Lucia (135) foi mais alto que o TSS (110). Isso pode indicar um “desacoplamento cardíaco”, onde a frequência cardíaca aumenta progressivamente para manter a mesma potência devido a fatores como fadiga, desidratação ou calor. O TSS mede o estímulo (trabalho externo), enquanto o TRIMP mede a resposta fisiológica (custo interno). Usar ambos fornece uma visão mais completa do estresse do treinamento.

O TRIMP e TSS são ferramentas poderosas para atletas e treinadores. Enquanto o TRIMP, baseado na frequência cardíaca, é mais acessível e reflete o estresse cardiovascular, o TSS, baseado na potência, oferece uma medida mais objetiva do trabalho mecânico realizado. A escolha da métrica depende do esporte, da disponibilidade de equipamentos e do nível de detalhe desejado no monitoramento da carga de treinamento. O uso combinado de ambas as métricas, quando possível, oferece a visão mais completa do impacto do treinamento no atleta.

 



Análise das Variáveis Biomecânicas e de Desempenho no Ciclismo: Impacto do Pedivela, Relação de Marcha e Pneu

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Este estudo realizou uma investigação sobre as diferenças estatísticas entre variáveis biomecânicas e de desempenho no ciclismo, com foco em cadência, torque, velocidade tangencial e arco de movimento do joelho, considerando diferentes configurações de pedivela (160, 165, 170 mm), relações de marcha (56×14, 58×14, 60×14) e tamanhos de pneu (622×25, 622×26, 622×28 mm). Os dados foram obtidos por meio de simulação computacional, mantendo potência constante de 335,86 watts para sustentar a velocidade de 45 km/h em 27 combinações de configurações. Os resultados indicaram que a relação de marcha é o principal fator para cadência e torque, enquanto o comprimento do pedivela determina velocidade tangencial e arco de movimento. O tamanho do pneu mostrou impacto desprezível nas variáveis avaliadas. A conclusão principal é que a escolha da configuração da bicicleta deve equilibrar aspectos biomecânicos e eficiência aerodinâmica, especialmente relevante para triatletas.

 Palavras-chave: Biomecânica do ciclismo. Cadência. Torque. Pedivela. Relação de marcha. Análise estatística.

 

Introdução

O ciclismo é uma modalidade esportiva que combina componentes biomecânicos complexos, fisiológicos e mecânicos, cuja otimização é fundamental para o desempenho atlético [1] [2]. A compreensão das variáveis que influenciam o desempenho e a biomecânica do ciclista é essencial para o treinamento eficaz, prevenção de lesões e otimização da configuração da bicicleta [3] [4]. A potência produzida pelo ciclista é resultado da interação entre força aplicada nos pedais e velocidade de rotação, expressa pela equação fundamental: Potência = Torque × Velocidade Angular [1]. Esta relação inversa entre torque e cadência, mantida uma potência constante, é um princípio biomecânico fundamental que influencia a seleção de configurações de bicicleta [2].

         O comprimento do pedivela, a relação de marcha (razão entre coroa e pinhão) e as características do pneu são parâmetros técnicos que influenciam significativamente as variáveis de desempenho e biomecânicas [3] [4]. Porém, a magnitude e a relevância estatística destas influências não estão completamente esclarecidas na literatura, particularmente quando analisadas simultaneamente em múltiplas combinações.

        O arco de movimento (ROM) do joelho é uma variável biomecânica crítica, associada tanto ao desempenho quanto ao risco de lesão articular [5]. Estudos anteriores sugerem que pedivelas mais curtos resultam em menor ROM do joelho, potencialmente benéfico para ciclistas com problemas articulares ou para otimização da posição aerodinâmica em triathlon [4] [5]. A velocidade tangencial da ponta do pedivela é uma variável mecânica que reflete a velocidade periférica da extremidade do pedivela, influenciada pelo comprimento do pedivela e pela cadência de pedalada. Esta variável é relevante para compreender a dinâmica mecânica do sistema de transmissão de força [1] [2].

         O objetivo deste estudo foi investigar as diferenças estatísticas entre cadência, torque, velocidade tangencial e arco de movimento do joelho em função de diferentes configurações de pedivela, relações de marcha e tamanhos de pneu, mantendo uma velocidade constante de 45 km/h. A hipótese foi que a relação de marcha seria o fator determinante para cadência e torque, enquanto o comprimento do pedivela seria determinante para velocidade tangencial e arco de movimento, com impacto negligenciável do tamanho do pneu.

 

Metodologia

 Parâmetros de Entrada

O estudo foi conduzido através de simulação computacional, utilizando as seguintes especificações:

 

Condições Fixas:

        Velocidade alvo: 45 km/h (12,5 m/s)

        Massa total: 75 kg (ciclista 65 kg + bicicleta 10 kg)

        Coeficiente de arrasto aerodinâmico (CdA): 0,25 m² (valor típico para posição aerodinâmica em triathlon)

        Coeficiente de resistência ao rolamento (Crr): 0,004 (valor típico para pneu de estrada/triathlon)

        Eficiência de transmissão: 98%

        Densidade do ar: 1,225 kg/m³

        Aceleração da gravidade: 9,81 m/s²

        Terreno: plano (sem inclinação)

 

Variáveis Independentes:

        Comprimento do pedivela: 160 mm, 165 mm, 170 mm

        Relação de marcha (coroa × pinhão): 56×14, 58×14, 60×14

        Tamanho do pneu (diâmetro efetivo): 622×25, 622×26, 622×28 mm

 

Cálculo da Potência Necessária

A potência necessária para manter 45 km/h foi calculada utilizando a equação de resistência total [1]:

 

P = (F_aero + F_roll) × V

 

Onde:

        F_aero = 0,5 × ρ × CdA × V² (força de arrasto aerodinâmico)

        F_roll = M × g × Crr (força de resistência ao rolamento)

        V = velocidade (m/s)

        ρ = densidade do ar (kg/m³)

        M = massa total (kg)

        g = aceleração da gravidade (m/s²)

 

A potência calculada foi de 335,86 watts, mantida constante para todas as simulações.

 

Cálculo das Variáveis de Saída

Cadência (RPM): Calculada pela equação:

 

Cadência (RPM) = [V / (Relação × π × D_efetivo)] × 60

 

Onde:

        V = velocidade (m/s)

        Relação = coroa/pinhão

        D_efetivo = diâmetro efetivo da roda (m)

 

Torque (Nm): Calculado pela relação fundamental:

 

  • Torque = Potência / Velocidade Angular
  • Onde a velocidade angular foi derivada da cadência em radianos por segundo.
  • Velocidade Tangencial (m/s): Calculada como:

 

V_tangencial = Velocidade Angular × Comprimento do Pedivela

 

ü  Arco de Movimento (ROM): Estimado com base em estudos biomecânicos, utilizando a relação linear entre comprimento do pedivela e ROM do joelho, com redução estimada de 0,4 graus por milímetro de aumento no comprimento do pedivela.

 

Análise Estatística

As diferenças entre grupos foram analisadas através de estatística descritiva (média, desvio padrão) e agrupamento por variáveis independentes. As variáveis foram organizadas em tabelas de contingência para identificar os fatores determinantes de cada variável de saída.


Resultados

Cadência e Torque

A análise revelou que a relação de marcha é o fator determinante para cadência e torque. Os resultados são apresentados na Tabela 1.

 

Relação

Pneu (mm)

Cadência Média (RPM)

Torque Médio (Nm)

56×14

25

88,81

36,85

56×14

28

88,03

37,18

58×14

25

85,75

38,16

58×14

28

84,99

38,51

60×14

25

82,89

39,48

60×14

28

82,16

39,83

 

A variação de cadência entre a relação 56×14 (88,81 RPM) e 60×14 (82,16 RPM) foi de aproximadamente 6,65 RPM, correspondendo a uma variação de torque de 2,98 Nm (36,85 Nm para 39,83 Nm). Esta relação inversa é consistente com o princípio fundamental de conservação de potência [1] [2]. O tamanho do pneu apresentou impacto negligenciável, com variações inferiores a 1 RPM e 0,3 Nm entre os tamanhos testados (622×25 versus 622×28).

 

Velocidade Tangencial

A análise revelou que o comprimento do pedivela é o fator determinante para velocidade tangencial. Os resultados são apresentados na Tabela 2.

 

Pedivela (mm)

V. Tangencial Média (m/s)

Desvio Padrão (m/s)

160

1,43

0,04

165

1,48

0,04

170

1,52

0,05

A velocidade tangencial aumentou linearmente com o comprimento do pedivela, refletindo a relação direta entre raio de rotação e velocidade periférica. A variação entre pedivelas de 160 mm e 170 mm foi de 0,09 m/s, representando um aumento de aproximadamente 6,3%. O desvio padrão dentro de cada grupo reflete a variação de cadência associada às diferentes relações de marcha e tamanhos de pneu [2].

 

Arco de Movimento (ROM)

        análise revelou que o comprimento do pedivela é o fator determinante para arco de movimento do joelho. Os resultados são apresentados na Tabela 3.

 

Pedivela (mm)

ROM Médio (graus)

Desvio Padrão (graus)

160

124,00

0,00

165

122,00

0,00

170

120,00

0,00

        A redução de 10 mm no comprimento do pedivela (de 170 mm para 160 mm) resultou em um aumento de 4 graus no ROM do joelho. Esta relação inversa entre comprimento do pedivela e ROM é consistente com estudos biomecânicos anteriores [4] [5], que demonstram que pedivelas mais curtos aumentam a amplitude de movimento articular.

 

Impacto do Tamanho do Pneu

O tamanho do pneu apresentou impacto estatisticamente negligenciável em todas as variáveis analisadas. A variação máxima observada foi inferior a 1 RPM para cadência e 0,3 Nm para torque, refletindo a pequena variação no diâmetro efetivo da roda (622×25 = 672 mm versus 622×28 = 678 mm, uma diferença de apenas 6 mm ou 0,9%).

 

 Discussão

Os resultados deste estudo demonstram que as variáveis biomecânicas e de desempenho no ciclismo são influenciadas de forma diferenciada pelos parâmetros técnicos da bicicleta. A compreensão destas relações é fundamental para a otimização da configuração e do treinamento [1] [3].

 

Cadência e Torque: Relação Inversa Determinada pela Relação de Marcha

A relação inversa entre cadência e torque, mantida uma potência constante, é um princípio biomecânico bem estabelecido [1] [2]. Os resultados confirmam que a relação de marcha é o fator determinante desta variação. A escolha entre uma relação menor (56×14, cadência mais alta) ou maior (60×14, cadência mais baixa) representa um trade-off entre aplicar mais força (torque) ou girar mais rápido (cadência) para manter a mesma velocidade [2].

Para ciclistas de triathlon, a cadência preferida tipicamente varia entre 85 e 90 RPM [3]. Os resultados indicam que a relação 58×14 (cadência média de 85,75 RPM) seria apropriada para este intervalo, enquanto 56×14 (88,81 RPM) seria adequada para cadências mais altas e 60×14 (82,16 RPM) para cadências mais baixas.

O impacto negligenciável do tamanho do pneu na cadência e torque é esperado, pois a variação no diâmetro efetivo é pequena (menos de 1%) comparada à variação na relação de marcha (aproximadamente 7% de diferença entre 56×14 e 60×14).

 

Velocidade Tangencial: Determinada pelo Comprimento do Pedivela

A velocidade tangencial da ponta do pedivela é determinada pelo comprimento do pedivela e pela cadência. Os resultados demonstram que o comprimento do pedivela é o fator dominante, com uma relação linear clara [2]. A variação de 0,09 m/s entre pedivelas de 160 mm e 170 mm é consistente com a relação matemática V = ω × r, onde ω é a velocidade angular (cadência) e r é o raio (comprimento do pedivela). Esta variável é relevante para compreender a dinâmica mecânica do sistema de transmissão de força e pode ter implicações para o desempenho em diferentes contextos (ex: sprint versus resistência) [2].

 

Arco de Movimento: Determinado pelo Comprimento do Pedivela

O arco de movimento do joelho é uma variável biomecânica crítica, associada tanto ao desempenho quanto ao risco de lesão articular [4] [5]. Os resultados demonstram uma relação inversa clara entre comprimento do pedivela e ROM, com redução de 4 graus ao aumentar o pedivela de 160 mm para 170 mm.

Esta descoberta é consistente com estudos anteriores que demonstram que pedivelas mais curtos reduzem o ROM do joelho [4] [5]. Para ciclistas com problemas articulares no joelho, a seleção de pedivelas mais curtos (160 mm) pode ser benéfica para reduzir o stress articular. Inversamente, para ciclistas sem problemas articulares, pedivelas mais longos (170 mm) podem ser preferidos para otimizar a aerodinâmica e a eficiência mecânica em triathlon [3].

 

Implicações Práticas para Seleção de Configuração

Os resultados indicam que a seleção adequada de configuração de bicicleta deve considerar os seguintes fatores:

 Ø  Relação de Marcha: Deve ser selecionada com base na cadência preferida do ciclista. Para triathlon a 45 km/h, cadências de 85-90 RPM são típicas, sugerindo relação 58×14 como ponto de partida.

 Ø  Comprimento do Pedivela: Deve equilibrar a biomecânica articular (ROM) com a aerodinâmica. Pedivelas de 165-170 mm são recomendados para a maioria dos ciclistas de triathlon, com 160 mm considerado para ciclistas com problemas no joelho.

 Ø  Tamanho do Pneu: Tem impacto negligenciável nas variáveis analisadas. A seleção deve ser baseada em conforto, resistência ao rolamento e condições de pista, não em cadência ou torque.



 Limitações do Estudo

        O presente estudo utilizou simulação computacional com parâmetros estimados (CdA, Crr) baseados em valores típicos da literatura. Estudos experimentais com medições diretas de potência, torque e cinemática seriam necessários para validar completamente os resultados. Além disso, o estudo não considerou variações individuais em antropometria, força muscular ou padrão de pedalada, que podem influenciar as relações observadas [1] [3].

 

 Conclusão

        Este estudo investigou as diferenças estatísticas entre variáveis biomecânicas e de desempenho no ciclismo em função de diferentes configurações de pedivela, relações de marcha e tamanhos de pneu. Os resultados demonstraram que a relação de marcha é o fator determinante para cadência e torque, com variações de aproximadamente 6,65 RPM e 2,98 Nm entre as relações testadas. O comprimento do pedivela é o fator determinante para velocidade tangencial e arco de movimento do joelho, com variações de 0,09 m/s e 4 graus, respectivamente. O tamanho do pneu apresenta impacto negligenciável em todas as variáveis analisadas, com variações inferiores a 1 RPM e 0,3 Nm. Estas descobertas têm implicações práticas significativas para a seleção de configuração de bicicleta em ciclismo, particularmente em triathlon, onde a otimização da biomecânica e da aerodinâmica é crítica para o desempenho. A seleção adequada de relação de marcha deve ser baseada na cadência preferida, enquanto a seleção do pedivela deve equilibrar a biomecânica articular com a eficiência aerodinâmica. Estudos futuros devem validar experimentalmente estes resultados e investigar as interações entre estas variáveis e outras características individuais do ciclista, como força muscular, padrão de pedalada e antropometria.

 

 Referências

1. Diefenthaeler, F.; Bini, R. R.; Vaz, M. A. (2008). Aspectos relacionados à fadiga durante o ciclismo: uma abordagem biomecânica. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbme/a/CDnLj5qxhMHzDhMftVXSXFt/?lang=pt&format=html

 2. Di Alencar, T. A. M.; Matias, K. F. de Sousa (2010). Cinesiologia e biomecânica do ciclismo: uma revisão. Revista Movimenta, ISSN 1984. Disponível em: https://www.studiobikefit.com.br/wa_files/cinesiologia%20e%20biomecanica%20do%20ciclismo%20-%20uma%20revisao.pdf

 3. Diefenthaeler, F.; Bini, R. R.; Vaz, M. A. (2012). Análise da técnica de pedalada durante o ciclismo até a exaustão. Motriz, Rio Claro, v.18, n.3, p.476-486. Disponível em: https://www.scielo.br/j/motriz/a/8Fvd5vw5TtDk7xMt9Bttdnb/?format=pdf

 4. Castronovo, A. M.; Conforto, S.; Schmid, M.; Bibbo, D. (2013). How to assess performance in cycling: the multivariate nature of influencing factors and related indicators. Frontiers in Physiology. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/physiology/articles/10.3389/fphys.2013.00116/full

 5. Paton, C. D.; Hopkins, W. G. (2001). Tests of cycling performance. Sports Medicine, 31(7). Disponível em: https://link.springer.com/article/10.2165/00007256-200131070-00004

 6. Impellizzeri, F. M.; Marcora, S. M.; Rampinini, E.; Mognoni, P.; Sassi, A. (2005). Correlations between physiological variables and performance in high level cross country off road cyclists. British Journal of Sports Medicine, 39(10), 747-751. Disponível em: https://bjsm.bmj.com/content/39/10/747.short

7. Swart, J.; Holliday, W. (2019). Cycling biomechanics optimization—the (R)evolution of bicycle fitting. Current Sports Medicine Reports, 18(12). Disponível em: https://journals.lww.com/acsm-csmr/fulltext/2019/12000/cycling_biomechanics_optimization_the__r_.13.aspx

8. Phillips, K. E.; Healy, L. C.; Greig, M. J. (2020). Determinants of Cycling Performance: a Review of the Literature. PMC/NIH. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7271082/

9. Turpin, N. A.; Guével, A.; Durand, S.; Hug, F. (2020). Cycling Biomechanics and Its Relationship to Performance. Applied Sciences, 10(12), 4112. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-3417/10/12/4112

10. Li, J.; et al. (2025). Effects of crank length on cycling efficiency, sprint performance and subjective fatigue. PMC/NIH. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12060448/