Estratégia de Consumo de Carboidrato para uma prova de triathlon 70.3

A estratégia para o consumo de carboidrato é fundamental para a manutenção da performance durante os eventos de endurance.  A estratégia apresentada serve de parâmetro para a compreensão da necessidade de um bom planejamento nutricional  para manter o rendimento durante a prova.

Para um triatleta de 60 kg com VO2máx de 63 ml/kg/min, que vai competir em uma prova de meio Ironman (70.3), a estratégia de consumo de carboidratos (CHO) é fundamental para garantir um bom desempenho e retardar a fadiga. A prova envolve 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida, exigindo uma nutrição bem planejada, dada a sua longa duração (entre 4 e 7 horas, dependendo do atleta).


Objetivos da estratégia:


  • Manter os níveis de glicogênio muscular para fornecer energia contínua.
  • Prevenir a hipoglicemia durante a prova.
  • Maximizar a absorção de carboidratos sem causar desconforto gastrointestinal.



1. Fase Pré-Prova (1 a 3 dias antes)


Nos dias que antecedem a prova, o foco é maximizar as reservas de glicogênio. Um protocolo de carga de carboidratos pode ser útil.


Carga de carboidratos: 7 a 10 g de CHO/kg de massa corporal, o que resulta em cerca de 420 a 600 g/dia para este 


  • Distribuição: Dividido em 5 a 6 refeições ao longo do dia.


Hidratação: Manter-se bem hidratado é crucial, consumindo pelo menos 1,5 a 2 litros de água por dia. No dia anterior à prova, pode-se incluir bebidas esportivas com eletrólitos.


2. Antes da Prova (2 a 3 horas antes da largada)


O objetivo aqui é garantir que o atleta comece com os estoques de glicogênio cheios e sem desconforto gastrointestinal.


Refeição pré-prova: Aproximadamente 2-3 g de CHO/kg de peso corporal (~120 a 180 g de carboidrato).


Hidratação: 500 a 600 ml de água ou bebida esportiva 2 a 3 horas antes da prova.


3. Durante a Prova


Natação (1,9 km)


  • Duração aproximada: 30-40 minutos.


Ingestão de carboidrato: Não é necessário consumir carboidratos durante a natação, mas é importante garantir boa hidratação antes da prova.


Ciclismo (90 km)


  • Duração: Aproximadamente 2,5 a 3 horas.


Ingestão de carboidratos: Entre 60 a 90 g de CHO por hora. Para maximizar a absorção, recomenda-se o uso de carboidratos com múltiplos transportadores, como uma mistura de glicose e frutose, o que pode aumentar a absorção para até 90 g/hora.


Plano para 3 horas de ciclismo:


  • 1 gel energético (~20 g de CHO) a cada 30 minutos.
  • 500 ml de bebida esportiva com eletrólitos (~30 g de CHO) a cada hora.
  • 1 barra energética (~40 g de CHO) ao final de cada hora.


Hidratação: Aproximadamente 500-750 ml de fluido por hora, dependendo da temperatura, com eletrólitos (sódio, potássio).



Corrida (21,1 km)


  • Duração: Aproximadamente 1,5 a 2 horas.


  • Ingestão de carboidratos: Continuar com 60 a 90 g de CHO por hora.


Exemplo: 1 gel energético a cada 30 minutos e 500 ml de bebida esportiva a cada hora.


Hidratação: 400 a 600 ml de fluido por hora, mantendo o equilíbrio de eletrólitos.


4. Após a Prova (Recuperação)


A recuperação pós-prova é crucial para restaurar os estoques de glicogênio e promover a recuperação muscular.


Carboidratos: 1-1,2 g/kg de CHO nas primeiras 2 horas pós-prova (~60-72 g de carboidrato). 


Proteínas: 20-30 g de proteína para otimizar a recuperação muscular.


Hidratação: Repor fluidos, ingerindo cerca de 1,5 L de água para cada kg perdido durante a prova.


A estratégia de consumo de carboidratos é projetada para otimizar o desempenho de um triatleta de 60 kg durante um meio Ironman, maximizando o uso de glicogênio e prevenindo a fadiga. Ajustes individuais podem ser necessários com base em preferências alimentares e respostas digestivas durante os treinos.


A Importância da Escolha da Equação no Cálculo do Gasto Energético

   


     Você sabia que a equação utilizada para calcular o gasto energético pode impactar significativamente os resultados? Um estudo recente comparou 10 equações diferentes e encontrou diferenças de até 5,2% na taxa metabólica calculada. Isso significa que algumas equações podem superestimar ou subestimar o real gasto energético durante o exercício.

   A pesquisa analisou corredores de alto nível em diferentes velocidades e destacou que equações desatualizadas, como a de Weir (1949), ainda são amplamente utilizadas, mesmo contendo erros conhecidos. A recomendação dos pesquisadores é que profissionais do treinamento físico adotem métodos mais precisos e relatem os valores de consumo de oxigênio (V̇O2) e produção de CO₂ (V̇CO2) para cálculos mais confiáveis.

    Se você quer otimizar seu treinamento e entender melhor seu gasto energético, certifique-se de que os cálculos utilizados estejam baseados em equações corretas e atualizadas!

📌 Compartilhe este post e ajude mais pessoas a treinarem de forma mais eficiente! 💪🔥

A FÓRMULA DE KARVONEN: COMO CALCULAR SUA FREQUÊNCIA CARDÍACA ALVO.

 Ao ouvir a palavra “fórmula”, muitos atletas podem sentir vontade de desistir. Mas calma, essa é uma ideia simples e muito eficaz! Vamos explicar.

Muitas fórmulas de frequência cardíaca apenas multiplicam o esforço em porcentagem pela frequência cardíaca máxima. O problema é que isso não considera o fato de que cada pessoa tem uma frequência cardíaca mínima (de repouso) diferente. Foi pensando nisso que o fisiologista Karvonen criou uma fórmula que leva esse fator em conta.

A ideia principal é que nossa frequência cardíaca de reserva (FCR) é a diferença entre a frequência cardíaca máxima e a mínima. A partir disso, podemos calcular a frequência cardíaca alvo multiplicando a RFC pelo esforço desejado (em porcentagem) e, em seguida, somando a frequência cardíaca mínima.

A FÓRMULA DE KARVONEN:

FC Alvo=[(FC MaxFC Mın)×%Esforço]+FC Mın

EXEMPLO: 

Vamos usar um exemplo para facilitar:

1. Frequência Cardíaca Máxima (FC Máx.) pode ser aferida diretamente em laboratório em um testo de esforço máximo. Mas também pode ser calculada. A equação de Tanaka é uma fórmula amplamente utilizada para calcular a frequência cardíaca máxima (FCmáx) com base na idade, sendo considerada mais precisa do que a fórmula tradicional.

    • A fórmula de Tanaka é:

FCmax=208−(0,7×idade)
Exemplo de cálculo:

Idade: 30 anos

FCmax208(0,7×30)

FCmax20821

FCmax= 187bpm
          

Contudo vamos usar uma FC máxima de 200 bpm para facilitar o cálculo.

2. Frequência Cardíaca Mínima (FC Mín.): 50 bpm.
    • Obtida ao medir sua frequência em repouso total.

3. Esforço Desejado: 70%.

Passo 1: Calcular a Reserva de Frequência Cardíaca (FCR):

RFC=FC Maˊx.FC Mıˊn.=20050=150bpm.\text{RFC} = \text{FC Máx.} - \text{FC Mín.} = 200 - 50 = 150 \, \text{bpm}.

Passo 2: Aplicar o Esforço Desejado:

FCR Ajustada=150×0,7=105bpm.\text{RFC Ajustada} = 150 \times 0,7 = 105 \, \text{bpm}.

Passo 3: Somar a Frequência Cardíaca Mínima:

FC Alvo=105+50=155bpm.\text{FC Alvo} = 105 + 50 = 155 \, \text{bpm}.

Assim ao treinar com 70% de esforço, sua frequência cardíaca alvo será 155 bpm.

Nutrição em Esportes de Resistência: Estamos Realmente Atendendo às Recomendações?

 

Nutrição em Esportes de Resistência: Estamos Realmente Atendendo às Recomendações?

O aumento das competições de resistência, como triatlos e corridas de montanha, traz à tona uma questão essencial: os atletas estão seguindo as recomendações nutricionais para maximizar o desempenho e prevenir problemas gastrointestinais? Um estudo recente publicado na Nutrients analisou justamente isso, avaliando 42 atletas em competições de triatlo e corrida de montanha. Vamos explorar os resultados e o que eles significam para atletas e profissionais da área.

Competir em eventos de longa duração exige mais do que preparo físico; a nutrição desempenha um papel crítico. Carboidratos, hidratação, eletrólitos e até cafeína podem impactar diretamente o desempenho. As recomendações incluem:

  • Consumo de 90 g/h de carboidratos (CHO) para provas acima de 2,5 horas.
  • Hidratação de 0,6 a 1 litro por hora, com inclusão de 300–600 mg/h de sódio.
  • Após a prova, ingestão de 0,8–1 g/kg de CHO e 0,2–0,4 g/kg de proteínas para recuperação.

No entanto, atingir essas metas é desafiador, especialmente considerando o impacto dos alimentos no sistema digestivo durante o esforço intenso. 

Os pesquisadores analisaram triatletas e corredores de montanha em competições na Espanha, registrando consumo de alimentos, líquidos e suplementos. Além disso, investigaram a prevalência de desconfortos gastrointestinais durante os eventos.

Resultados:

  1. Consumo Abaixo do Ideal: Os atletas consumiram, em média, 43,67 g/h de CHO, bem abaixo dos 90 g/h recomendados. O consumo de sódio também ficou aquém, em torno de 270 mg/h.
  2. Hidratação e Recuperação: A ingestão de líquidos variou entre 421 e 447 mL/h, perto do mínimo recomendado. Após as provas, os atletas atenderam às recomendações de CHO e proteínas.
  3. Problemas Gastrointestinais: Mais da metade dos atletas (61,9%) relatou desconfortos, como náuseas, gases e refluxo.

Os dados destacam a necessidade de estratégias nutricionais personalizadas. Aqui estão algumas dicas práticas:

  • Treinamento Nutricional: Simule as condições de prova durante os treinos para ajustar a tolerância gastrointestinal e melhorar a absorção de carboidratos e líquidos.
  • Planejamento Pré-Prova: Consuma refeições ricas em carboidratos (7–12 g/kg) nas 24 horas anteriores ao evento e evite alimentos ricos em fibras e gorduras.
  • Hidratação Estratégica: Use bebidas isotônicas e divida a ingestão de líquidos em pequenas quantidades ao longo do evento.
  • Orientação Profissional: Trabalhe com nutricionistas esportivos para criar planos individualizados que atendam às demandas do esporte.

Embora os atletas estudados não tenham atingido todas as recomendações nutricionais, o cumprimento parcial das orientações já trouxe benefícios. A prevalência de desconfortos gastrointestinais reforça a importância de um planejamento nutricional adequado.

Se você é um atleta ou profissional da área, investir na educação nutricional e no acompanhamento especializado pode ser a diferença entre alcançar ou não o seu melhor desempenho.

Quer saber mais? Leia o estudo completo publicado na revista Nutrients!


Cálculo da glicemia em grama por litro (g/L)

 

    Cálculo da glicemia em grama por litro (g/L) é realizado a partir da conversão dos valores obtidos em miligramas por decilitro (mg/dL), que é a unidade de medida mais comum para glicemia nos exames de sangue. Para converter de mg/dL para g/L, siga os seguintes passos:

Fórmula de Conversão:

  1. Valor em mg/dL ÷ 100 = Valor em g/L

Isso ocorre porque:

  • 1 decilitro (dL) = 0,1 litro (L)
  • 1 grama (g) = 1.000 miligramas (mg)

Exemplo prático:

    Se a glicemia de um paciente é de 90 mg/dL, a conversão para g/L seria:

    Cálculo da glicemia em grama por litro (g/L) é realizado a partir da conversão dos valores obtidos em miligramas por decilitro (mg/dL), que é a unidade de medida mais comum para glicemia nos exames de sangue. Para converter de mg/dL para g/L, siga os seguintes passos:

Fórmula de Conversão:

  1. Valor em mg/dL ÷ 100 = Valor em g/L

Isso ocorre porque:

  • 1 decilitro (dL) = 0,1 litro (L)
  • 1 grama (g) = 1.000 miligramas (mg)

Exemplo prático:

    Se a glicemia de um paciente é de 90 mg/dL, a conversão para g/L seria:

90mg/dL ÷ 100= 0,9g/L

    Portanto, 90 mg/dL é equivalente a 0,9 g/L.

    Essa conversão é útil para expressar os níveis de glicose no sangue em diferentes unidades dependendo do contexto ou do padrão adotado em determinada situação clínica ou de pesquisa.

    Para calcular a quantidade total de glicose no sangue de uma pessoa, considerando que ela tem 5 litros de sangue, você pode usar o valor da glicemia em g/L e multiplicá-lo pelo volume total de sangue.

Passos para o cálculo:

  1. Determine o valor da glicemia: Vamos usar o exemplo de uma glicemia normal, que é de aproximadamente 0,9 g/L (ou 90 mg/dL).

  2. Multiplique pelo volume total de sangue: Se a pessoa tem 5 litros de sangue, multiplique o valor da glicemia (em g/L) por esse volume.

Fórmula:

Exemplo:

                    Se a glicemia da pessoa é 0,9 g/L e ela tem 5 litros de sangue:

0,9g/L × 5L4,5g de glicose

Interpretação:

Uma pessoa com 5 litros de sangue e uma glicemia de 90 mg/dL (0,9 g/L) terá aproximadamente 4,5 gramas de glicose circulando no seu corpo. Isso é uma quantidade relativamente pequena, considerando o papel essencial da glicose como principal fonte de energia para o corpo.



O gráfico ilustra a relação entre o volume de sangue (em litros) e a quantidade total de glicose (em gramas) no corpo, considerando uma glicemia de 0,9 g/L. À medida que o volume de sangue aumenta, a quantidade de glicose no sangue também cresce proporcionalmente. ​


Cálculo da quantidade de moles da glicose

    Para calcular quantos moles há em 1 grama de glicose, utilizamos a fórmula que relaciona massa e quantidade de matéria (mol):

m.M

Onde:

  • n é o número de moles;
  • m é a massa (em gramas);
  • M é a massa molar da substância (em g/mol).

Passo 1: Determinar a massa molar da glicose

A fórmula química da glicose é C6H12O6C_6H_{12}O_6. Para calcular a massa molar, somamos as massas molares dos átomos que compõem a molécula:

  • Carbono (C): 12 g/mol
  • Hidrogênio (H): 1 g/mol
  • Oxigênio (O): 16 g/mol

Então, a massa molar da glicose será:

(6×12)+(12×1)+(6×16)=72+12+96=180g/mol


Passo 2: Calcular os moles em 1 grama de glicose

Agora, utilizando a fórmula m.M

Resultado:

  • 1 grama de glicose contém aproximadamente 0,00556 moles de glicose.


Parra calcular quantos ATPs são produzidos a partir de 1 grama de glicose, precisamos entender o processo bioquímico do metabolismo da glicose.

Etapas do Metabolismo Energético da Glicose

Quando a glicose é metabolizada no corpo, ela passa pelas seguintes fases principais:

  1. Glicólise: Uma molécula de glicose (C₆H₁₂O₆) é convertida em duas moléculas de piruvato, produzindo um rendimento líquido de 2 ATPs.
  2. Ciclo de Krebs (Ciclo do Ácido Cítrico): Cada molécula de piruvato é oxidada, e cada volta no ciclo gera energia na forma de NADH e FADH₂.
  3. Cadeia Transportadora de Elétrons (Fosforilação Oxidativa): O NADH e o FADH₂ resultantes produzem ATPs na mitocôndria. No final, uma molécula de glicose completa rende até 32 a 38 ATPs em condições ideais.


Cálculo da Produção de ATP a partir de 1 grama de glicose

  1. Massa molar da glicose: Como mencionado anteriormente, a massa molar da glicose é 180 g/mol.
  2. Número de moles em 1 grama de glicose:

Moles de glicose 1180g/mol ≈ 0,00556mol 

  1. Produção de ATP por mol de glicose: Em média, uma molécula de glicose produz aproximadamente 32 ATPs (usaremos este valor para uma estimativa conservadora).

  2. Calcular ATPs produzidos por 1 grama de glicose:

ATP total 0,00556mol de glicose×32ATP/mol de glicose=0,17792mol de ATP

        Como 1 mol de ATP corresponde a 6,022 \times 10^{23} moléculas de ATP (número de Avogadro), para 0,17792 mol de ATP, o número de moléculas de ATP seria:

0,17792mol de ATP×6,022×1023moléculas/mol 1,07×1023moléculas de ATP 

Resumo:

  • 1 grama de glicose produz aproximadamente 0,17792 mol de ATP.
  • Isso equivale a cerca de 177,92 mmol de ATP ou aproximadamente 1,07 × 10²³ moléculas de ATP.

Portanto, 1 grama de glicose gera cerca de 178 mmol de ATP, que corresponde a uma quantidade de energia suficiente para muitas funções biológicas essenciais no corpo.


Tipos de Fibras Musculares: Atualizações na Nomenclatura e Funçõe




Os músculos esqueléticos são formados por diferentes tipos de fibras musculares, cada uma especializada em uma função específica no corpo humano. Tradicionalmente, as fibras musculares eram classificadas como fibras de contração lenta (tipo I) e fibras de contração rápida (tipo II), sendo subdivididas em IIa e IIb. Entretanto, com o avanço das pesquisas em fisiologia muscular, surgiram atualizações na nomenclatura que refletem melhor as características dessas fibras.


Tipos de Fibras Musculares


1. Fibras de Contração Lenta - Tipo I (Fibras Oxidativas Lentas)  

   Também conhecidas como fibras vermelhas, as fibras musculares tipo I têm uma alta capacidade de resistência e são ricas em mitocôndrias, o que lhes permite gerar energia através do metabolismo aeróbico. Essas fibras são ativadas em atividades de longa duração e baixa intensidade, como corridas de longa distância, caminhadas e ciclismo. Com o uso prolongado de oxigênio, produzem força de forma sustentada e resistente à fadiga.

   

2. Fibras de Contração Rápida - Tipo IIa (Fibras Oxidativas-Glicolíticas Rápidas) 

   As fibras tipo IIa combinam características de ambos os sistemas energéticos, aeróbico e anaeróbico. São moderadamente resistentes à fadiga e capazes de gerar força de forma mais explosiva em comparação com as fibras tipo I. Essas fibras são mais utilizadas em atividades de média intensidade e de duração moderada, como o levantamento de pesos e atividades de resistência rápida, como corridas de curta distância (400 a 800 metros).

   

3. Fibras de Contração Rápida - Tipo IIx (Anteriormente Tipo IIb)  

   A nomenclatura das fibras tipo IIb foi atualizada para **fibras tipo IIx**, destacando suas características distintas. Essas fibras possuem a maior capacidade de gerar força e potência, mas fatigam rapidamente devido à sua dependência do metabolismo anaeróbico, que gera energia sem oxigênio. Atividades explosivas de alta intensidade e curta duração, como sprints, saltos e levantamento de pesos máximos, são exemplos de atividades que recrutam essas fibras musculares.


Atualizações na Nomenclatura

Com as novas descobertas na fisiologia do exercício, a classificação de fibras musculares foi revisada. O que antes era classificado como fibras **IIb** é agora referido como fibras **IIx**. Essa mudança visa melhor refletir a composição funcional e bioquímica dessas fibras, que são muito rápidas e poderosas, porém altamente fatigáveis. Além disso, estudos modernos sugerem que as fibras musculares não são fixas em seus tipos, podendo modificar-se com o treinamento, uma característica chamada **plasticidade muscular**.


Importância na Prática Esportiva e Treinamento


Entender a composição das fibras musculares e sua capacidade de adaptação é fundamental para otimizar o treinamento. Atletas de esportes de resistência se beneficiam do aumento da eficiência das fibras tipo I, enquanto os atletas que necessitam de explosão muscular, como velocistas e levantadores de peso, precisam treinar suas fibras tipo IIx.


- Treinamento de resistência promove uma maior capilarização e o aumento de mitocôndrias, favorecendo a eficiência das fibras tipo I e IIa.

- Treinamento de força explosiva e velocidade enfatiza a ativação das fibras tipo IIx, aumentando a capacidade de geração de força rápida.


- Fibras Tipo I: Representadas com cor vermelha (devido à maior concentração de mioglobina), densas em mitocôndrias, com uma estrutura compacta para atividades de resistência.

- Fibras Tipo IIa: Em cor intermediária (rosa/roxa), evidenciando sua combinação de metabolismo aeróbico e anaeróbico, e uma moderada capacidade de gerar força.

- Fibras Tipo IIx: Representadas em cor branca, com uma estrutura larga, focada em gerar grande força e potência em períodos curtos.


Referências Bibliográficas

1. Wilmore, J. H., & Costill, D. L. (2012). Fisiologia do Esporte e do Exercício. São Paulo: Manole.

2. Kraemer, W. J., & Fleck, S. J. (2017). Fundamentos do Treinamento de Força Muscular. São Paulo: Phorte.

3. McArdle, W. D., Katch, F. I., & Katch, V. L. (2015). Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano*. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.


 

Índice de Resistência Aeróbica


Qual é a sua capacidade de manter um alto nível de desempenho ao longo do tempo?

Uma questão fundamental para o corredor, pois, por mais alta que seja a sua VMA (Velocidade Máxima Aeróbia) e a qualidade da sua passada, o seu desempenho dependerá da sua capacidade de manter uma alta VMA durante a corrida.

Frequentemente, observa-se que duas pessoas com os mesmos resultados no teste de VMA têm desempenhos diferentes em distâncias mais longas, isso ocorre porque um fator de manutenção da velocidade ao longo do tempo está envolvido aqui.

O índice de desempenho é uma equação que permite avaliar essa capacidade de durabilidade.

Para saber tudo sobre o índice de resistência, continue lendo e pegue suas calculadoras!

IE = Índice de Endurance

Peronnet e Thibault trabalharam na formulação de uma fórmula para determinar o IE (índice de resistência).

Partindo do princípio de que a velocidade do corredor diminuirá ao longo do tempo, essa diminuição ocorre de forma logarítmica e linear. Pode-se considerar que a velocidade diminui linearmente com o logaritmo do tempo.

Portanto, o índice de resistência é uma equação que resulta em um número negativo (a inclinação da curva de diminuição). Quanto menor esse número em valor absoluto, melhor é a resistência e mais suave é a inclinação de diminuição.

IE = (100 - %VMA) / ln (7 / t)
%VMA = (velocidade da corrida / VMA) x 100
t = tempo de corrida em minutos
"ln" é a função logarítmica a ser usada na calculadora

Exemplo: para um corredor que completa um percurso de 10 km em 36 minutos com uma VMA de 18 km/h, correndo a uma velocidade de 16,6km/h ou 92,2% da VAM, terá um IE de -4,76

IE = (100 - %VMA) / ln (7 / t)
IE = 100 - (100 x (16,6 / 18)) / ln(7/36)
IE = 7,8 / ln(0,194)
IE = 7,8 / (-1,63760)
IE = -4,76

Para avaliar a qualidade da sua resistência, aqui está uma tabela comparativa:

IE

Endurance

-12

Muito fraca

-10

Fraca

-8

Média

-6

Forte

-4

Muito forte


O índice de resistência e o treinamento

O IE permitirá avaliar o perfil e o nível do corredor para direcionar os seus treinamentos de acordo com as suas necessidades.

Uma pessoa com um índice de resistência baixo deverá orientar os seus treinamentos para sessões longas e de limiar, a fim de melhorar a sua capacidade de durar.

Essa informação também permitirá que o treinador oriente o corredor para objetivos de tempo que estejam de acordo com as suas capacidades. Com um índice de -10, é fácil prever que o corredor de maratona enfrentará uma queda acentuada na sua velocidade ao longo da prova, resultando em um tempo bem distante das suas performances nos 10 km, com um risco considerável de correr abaixo de 75% da sua VMA. Portanto, o seu programa de treinamento para a maratona se concentrará em sessões que o ajudarão a trabalhar a sua resistência mais do que a sua VMA.

 O IE também permite validar o efeito do treinamento ao comparar o desempenho no início do ano e após um ciclo de preparação para uma prova ao longo do ano, assim como os testes de VMA.

O ideal é, ao longo do ano, melhorar a técnica da passada para ser mais eficiente e econômico, aumentar a capacidade aeróbia e, portanto, a VMA, e, claro, simultaneamente, melhorar o IE para que as performances em campo aumentem.